Gramimimi

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Texto de Vindicator

Eu estava numa palestra com o saudoso Ariano Susassuna quando ele leu um trecho de um artigo de jornal a respeito da banda Calypso: “Chimbinha é um guitarrista genial”.

Após cessarem as risadas na plateia, o escritor comentou: “Se eu precisar falar de Beethoven ou Mozart, vou ter que inventar um novo adjetivo, porque “genial” já foi gasto com Chimbinha!”

O jornalismo anda assim, mas principalmente, a “Web  2.0” caminha com esses sapatos. Se você estava na internet por esses dias (e é claro que você estava, porque você não tem vida social) deve saber da choradeira em torno do prêmio recebido pela Taylor Swift. O prêmio que enfureceu modernosos, indies, descolados e, principalmente, militantes e comoveu meia web (a parte que não estava fazendo nada de útil por lá).Não se trata do nobel da paz, do prêmio de melhor projeto de ajuda humanitária, por serviços prestados à causa negra, etc. Não. O prêmio em questão é o Grammy. Pois é, nem Homer Simpson liga pra ele, mas os ativistas ligam.


E aí os caras começaram a apedrejar a Taylor Swift (virtualmente, claro, porque USA não é Minas Gerais) e dizer poucas e boas da menina. Isso. Sobre a Taylor Swift. Aquela lourinha, com cara de boneca, que você vestiria com uma roupa de princesa e levaria no colo por cada cômodo da casa, só pra ela não sujar as solas dos pezinhos. Aquela para quem você escreveria sonetos, canções e até poemas épicos. Aquela pela qual você pagaria 50 pratas a um artista de rua para que desenhasse o rosto dela numa folha A4, em lápis 6b (dinheiro acaba um dia, né, porra!). Ok, talvez você não fizesse nada disso porque é um filho da puta anti-romântico e cada vez que vê a Tailor Switf só consegue imaginar o rosto dela cheio de uma substância viscosa que lembra um mingau ralo. Isso é o que anos de X-Vídeos fazem com a sua cabeça, seu babaca! Bem, mas voltando ao ponto, eu realmente gastaria tudo o que eu consegui juntar durante uma vida, com a Taylor Swift. (Deve dar uns R$ 87,00, mas o que vale é a intenção.) Aliás, eu casaria com ela, mas EU NÃO DARIA O GRAMMY PARA ELA.


O Motivo é simples: a música dela é medíocre. Quem não faria as canções que a Taylor Swift interpreta? É uma música comercial, simplória e boba, feita para adolescentes, igualmente simplórios e bobos, exatamente como boa parte da porcaria que circula no mainstream. O que me leva a outro ponto: eu não daria o prêmio de álbum do ano a NENHUM DOS OUTROS INDICADOS. Um ano tem 365 dias, o planeta tem, aproximadamente 7 bilhões de pessoas (mas a julgar pelo tiroteio de ontem, num dos morros da vizinhança, deve ter umas quatro ou cinco a menos) (Mas, pensando nisso, não entendo: sempre ouço tiros, nunca vejo corpos. É um mistério.), mas como eu dizia, 7 bilhões de pessoas. Quantas dessas escreveram canções e gravaram albuns? Não sei, mas acredito que tenham sido muitas, porque nem todo mundo tem ânimo pra trabalhar. Não é possível que não haja nada melhor que as seis porcarias indicadas. Com o perdão do mau palavrão: vão tomar nos cus, né?


“Mas você não daria o Grammy nem pro Kendrick Lammar???!!!” Quem? “O Kendrick Lammar!” Quem? “Um artista de rap genial, politizado, NEGRO, que escreveu um album sobre a opressão dos negros… (zzzzzzz…) hã? O quê? Quem?
Pra não ficar nisso o dia inteiro é que existe a busca do Youtube. Fui lá conferir a obra do genial Kendrick Lammar e, para a minha surpresa, não é que a música do cara é mesmo uma bosta? Não é que seja exatamente ruim, ruim de tudo, mas, cara, é rap. É um sample de bateria intercalado com outros sons sampleados, no caso dele, o trecho da alguma coisa que parece acid jazz, enquanto um cara fala umas merdas, xinga uns palavrões e repete a palavra “nigger” a cada 2 segundos, numa espécie de tic nervoso musical, ou apenas pra garantir uma rima, não sei. Apostaria em transtorno obsessivo compulsivo “Se eu não disser “nigga” a cada duas frases, uma coisa terrível vai acontecer”. Mas o fato é que, tanto quanto Taylor Swift ou Chimbinha, NÃO É GENIAL!


Música pressupõe elementos básicos, que, quando estão presentes no rap, só lá estão por colagem, por lembrança, por referência. É como uma presença holográfica, ou um fantasma que insiste em sair numa foto de família. É uma semi-música. É uma intenção. Se boa ou não, não sei dizer, mas é certo que o inferno anda cheio delas.


“Mas, e a qualidade das letras? A poesia?” Pode até ser politizado, engajado, consciente. Mas a distância entre consciente e genial é tão grande quanto a distância entre Kendrick Lammar e Suassuna. Não estamos diante do Mark Twain da música. Não estamos testemunhando o despertar de um Ernest Hemingway com péssimo gosto para roupas. Não. É um cara xingando os brancos, a polícia e reclamando da posição dos negros no mundo. Ora, isso você também faz, caralho! Quer um grammy também?


“Mas, cara, olha o clip!” Ok, o clip é bonito. Tem uma fotografia realmente espetacular e foi dirigido por um diretor de cinema meio famoso que eu não me recordo agora. Resumindo, é o seguinte: um negro passa o tempo todo andando em câmera lenta, falando pelos cotovelos e tomando dura da polícia (presumo que tenha sido preso pelo mesmo motivo que o Tiririca, no seu hit “Florentina”), depois de muito lenga lenga, ele sobe num poste pra vandalizar (no melhor estilo Black Bloc), toma um tiro no cu  e morre. Desculpem, mas o cara encheu tanto o saco, que acho até que o tiro foi merecido. E só.


Por fim, sobre a questão racial, ah, caralho, vão tomar nos cus, que melanina não é um tipo de super-poder que te garanta superioridade em todas as áreas do conhecimento humano. Você não merece um prêmio por ser preto e o Kendrick Lammar também não. A Taylor Swift também não ganhou por ser loura. Ganhou simplesmente por ser mais esperta que o Kendrick Lammar e entender que música, principalmente música pop não é palanque e que, graças a Deus, vivemos num mundo onde tem muito mais gente apaixonada do que gente raivosa, querendo subir em poste de luz pra aparecer. E onde está o teu coração, está o teu tesouro. A indústria musical sabe disso e investiu no que dá retorno. É só isso. Não é porque ele é negro. É porque ele é burro.


Não, eu não daria um Grammy para o Kendrick Lammar. No máximo eu daria pra ele o livro do Almir Chediak.


Mas para a Taylor Swift eu daria uma aliança.

 

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