A pele que habito, ou: poderia ter sido um filme ruim mas não foi!

pele
Eu poderia estar escrevendo sobre a morte do super homem no BvS, ou sobre a manifestação do dia 13/03, mas como eu estou cagando pra Bvs e e acho que esse filme vai ser uma merda pior do que Homem de aço e quero que tanto coxinhas como petralhas vão morrer no Brás, vou dar as minha consideração sobre um filme que venho vendo desde 2011, como se alguém ligasse hahahahah…..

https://www.youtube.com/watch?v=FbJ-vNi8xos

Almodóvar é um gênio, ponto, é isso! Abro com essa frase porque o espanhol com cabelo de ninho de pomba bêbada é indiscutivelmente um diretor excepcional, autoral mesmo quando a historia que ele conta não tenha saído de sua cabeça, quem já viu um filme do Almodóvar reconhece sua marca, não há vícios irritantes como os de Christopher Nolan e sua necessidade de explicar tudo mil vezes chamando o expectador de burro, não há joguetes mirabolantes de enquadramento para justificar qualquer cena, não tem atalhos para nos enganar, ta tudo ali na cena, o diretor sonda intimamente as relações, inter- relações, e como um velho bisbilhoteiro, o que tem mais intimo nas suas personagens, e é tudo jogado na nossa cara e a gente nem percebe que é isso, apenas uma cena, apenas cinema! Poucos diretores são capazes de fazer o que Almodóvar faz, assim como nos “Kubricks” esquecemos que existe uma câmera, ela esta ali, mas sua função não é mostrar a virtuose do diretor em opera-la, não há tentativa de construir o melhor plano sequencia para impressionar ninguém (Iñárritu estou falando com você), seu único intento é acompanhar o que se passa ali, é documental sem ser, ficcional sem ser, assim como George Miller, Almodóvar nos apresenta o fantástico de forma crível, sem lenga lenga, é assim, cru, você chegou num lugar e coisas estão acontecendo na vida das pessoas que já estavam ali, e você nada pode fazer a não ser observar, parece muito piegas no meio de tantos blockbusters? Não lembro quem foi o critico que escreveu num jornal sobre o “fale com ela” que ele tem alma de noveleiro, pode até ser, podia ser alma de pasteleiro até, quem liga? Vamos dar um desconto a respeito de “Abraços partidos” é nos dizer que o que ele faz é bom, agora vamos nos importar com “A pele que habito” e dizer que o que ele faz é sim, muito bom!

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Um otimo diretor, mas não sabe onde fica o queixo!

Almodóvar disse que faria um suspense, um terror sem gritos e jumpscare, todo mundo ficou na expectativa, e ele foi lá e fez, surgiram criticas dizendo não se tratar de um suspense, e sim de mais um drama, digo que essas pessoas ão entenderam o filme, talvez o reflexo da falta de sensibilidade pois hoje ninguém quer ver o contexto, ler na entrelinhas, estamos na era Zack Snyder e não na era Aronofsky, A pele que habito é um terror, o terror vivido por cada um de seus personagens, seja a mãe que criou dois filhos e hoje se pergunta se os criou bem e onde foi que errou, seja de outra mãe que não sabe onde seu filho foi parar, seja na vida de um bem sucedido medico que vê o mundo ruir ao seu redor, sejá na esposa que se mata tal qual narciso enlouquecendo a filha, seja no rapaz que por um humor negro da vida acaba vivendo um pesadelo ou na paciente que sofre por não se sentir parte desse mundo! Lembra quando disse que Almodóvar é um gênio? pois então, Antônio bandeiras esta muito bem nesse filme e não esta fazendo o “amante latino”, bandeiras vive no longa o medico Robert Ledgard, que depois que sua mulher se mata apos ficar desfigurada em um acidente de carro resolve obstinadamente criar a pele perfeita, ao pensar que sua filha fora estuprada ele sai em busca de vingança e assim encontra as justificativas para ser anti-ético e mandar o juramento de hipócrates as favas, Robert não tem uma serra elétrica e uma mascara de hockey mas ele leva o horror para Vicente, e o suposto estuprador, vendo que não se trata de um jason voorhees e o jogo de gato rato, horrorizado, aceita, Almodóvar nos entrega o que prometeu, um filme de suspense, um terror sem grito,sem sangue, sem jumpscare, e acreditem em mim, é um filme assustador!

Elena Anaya - The Skin I Live In - 2_1
O texto continua com Spoilers, se você é um banana e ainda não viu o problema é inteiramente seu!

A pele que habito é um filme cheio de nuances como já dito aqui, você precisa entender as entrelinhas, e talvez devido a essa falta de leitura tenha recebido criticas negativas de uma meia duzia incapaz de ver mais do que lhe é visível, após a cirurgia de mudança de sexo Vicente acorda e Robert diz que ele agora possui uma vagina, imagino que um filme raso se contentaria com isso, que esse seria o auge do tal terror prometido, mas não é o caso, quando Vicente pergunta o porque Robert esta fazendo a sua barba no carcere, Robert diz não saber, mas é ai que podemos entender que a cena ao mostrar o raptor tirando a característica masculina do rosto da vitima pretende algo mais, não é o ato cruel em si, apenas uma camada dentre tantas outras, Robert pretende transformar Vicente em sua esposa falecida e assim ele faz, Vicente agora é vera (Elena Anaya), e o jovem rapaz, antes alegre demais, impulsivo demais, agora é uma mulher traumatizada, o diretor nos mostra uma mulher adulta como quem acabara de nascer, Vicente já deve ter assistido televisão inúmeras vezes mas vera esta vendo somente agora, por isso o espanto, por isso o olhar curioso, Vera fica atônita tentando entender esse mundo novo, tentando de repente entender sua função nesse mundo que ela não pediu para estar, a sequencia do doutor explicando que agora a moça precisa introduzir objetos fálicos em sua vagina para a mesma ir se adaptando é altamente perturbadora, Robert não esquartejá e não mata de forma brutal, faz pior, faz Vicente desistir de ser quem é, e vicente enquanto vai se matando apenas assiste horrorizado Vera transar com Robert numa louca síndrome de Estocolmo, parafraseando Marlon Brando em Apocalipse Now, e com a mesma sensação de guerra perdia, Vera parece estar sempre gritando presa dentro de si: “o horror, o horror”, não canso de repetir, Almodóvar prometeu e entregou, entregou o horror!

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Não é um Volver, Ata-me ou Tudo sobre sua mãe, mas esta longe de ser um filme ruim, alias, vamos a parte do titulo “poderia ter sido um filme ruim mas não foi”, simples, o cara vira mulher, forçado, sim, mas vira mulher e Pedro Almodóvar poderia usar algum tipo de discurso transgênero, explorar isso para agradar essa malucada ai que não sabe simplesmente dizer:” quero ser mulher e dane-se” como sempre foi, mas faz todo um discurso cheio de teoria doida tipo geração Z, não, Almodóvar não comprometeu a obra, essa bandeira coube no Clube de compras Dallas por exemplo, mas no filme espanhol não caberia e pronto!

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A pele que habito
Data de lançamento: 4 de novembro de 2011 (Brasil)
Direção: Pedro Almodóvar
Duração:177 min
Gêneros: Thriller, Drama
Nota: 8/10 Omeletes matadores de jovens gigantes

Capitão Macumba, e a pele que eu habito é a das paredes interna da sua mãe, muaháháháháhá

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