Novinhas MPB

Um hábito meu depois de chegar em casa, quando preciso lavar a louça, é ouvir a Alpha FM.

A 89 só toca rock, e o rock está morto (principalmente aqui que tem uma rádio evangélica pirata em cima da frequência deles). A Kiss toca muita merda. Brasil 2000 já foi pro saco a tempos. E eu nunca lembro onde caralhos fica a Antena Um. É bacana, escutar Simply Red e ficar dançando feito uma bichona sozinho, em casa.

Uma coisa que notei esses dias, porém, é a situação atual da famigerada “Nova MPB”. Enquanto não vemos um novo Legião Urbana ou Engenheiros do Hawaii (graças a deus), a cada 5 minutos pipoca uma cetinha nova, exatamente igual a anterior. Uma linha de produção de falta de talentos.
Mas como é uma carreira, ficam aqui os  pré requisitos pra entrar no mercado da música merda, caso você, leitora do Contra, se encaixe e esteja coçando o saco em casa:

Falta de talento:
Esse é óbvio. O que não é tão óbvio é que a falta de talento da “Nova MPB” tem um padrão.

É preciso saber manter o tom, mas sempre um pouco fora dos outros instrumentos. Volume, sempre no mesmo nível irritante, abaixo do esperado, a tal ponto que você tenha que se esforçar pra entender a letra (que por sinal, é exatamente a mesma em toda maldita música. Céu, amor, estrelas)
E quando for necessário puxar o pulmão, basta tentar imitar a Cássia Eller cantando Cazuza (o certo seria puxar Maria Bethania pra isso, mas foda-se). Qualquer bosta que sair, serve.

Ana Carolina (estagiária de enfermagem), Seu Jorge (pasteleiro da esquina), Paula Fernandes (atendente de telemarketing) nomes que fazem sucesso atualmente

Nome genérico:
Para entrar no mercado é preciso um nome artístico tão sem graça quanto a música que você toca. Se você tiver um nome interessante, como Marialma Schmidt Gonzales ou Jânia Quadros, trate de assumir um nome artístico simples. Nome que é nome, sobrenome que é sobrenome. Paula Souza, Inês Camargo, Janaína Oliveira.
W, K, Y, nunca. Letra repetida, de jeito nenhum. Acento, só em último caso.

Beleza natural.

Carisma visual zero:
Não é feiura, não é beleza. É uma cara de criança, uma menina que ficaria bonita com um tapa no visual. Resumindo, tempero zero.
O segredo é nunca se maquiar, sempre se vestir com tons pastéis, como bege diarréia ou marrom caganeira. Se serve como saco de batata ou pano de chão de banheiro de posto de gasolina, serve como moda para a “Nova MPB”.

Essa véia é comedora.

Lesbianismo:
Pra cair de cabeça na indústria, não pode ter medo de cair de cabeça numas xavascas. E não é qualquer xavasca. Quanto mais velha, melhor. Corte de cabelo, sempre militar, passou da altura 3, pula fora. Trate de criar um apetite por carne mijada, rançosa e com teias de aranha.

E não vai achando que aqui tem papo de construção social e o caralho, excretor não reproduz e tudo mais. Pra entrar no gosto de uma produtora endinheirada, tem que ser novinha legítima e biológica, no máximo 3 pentelhinhos, nada de depilar.

Carisma bombando.

Seguindo todas estas dicas, você com certeza vai conseguir evocar a infâmia para você e cair numa carreira de sucesso intermunicipal. A última fatia do pão de forma.

Cascudo e sem graça.

Tesudo.

Autor: Astrólogo Orvalho de Caralho

Também conhecido como Sr. Caralho. Só Caralho entre amigos.

6 comentários em “Novinhas MPB”

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