CONTRA O Voto Obrigatório (É Tudo Filha Da Puta!)

Segunda, 03 de outubro, de 2016 – na verdade, já é terça, pois, comecei a escrever essa porra tarde e não consegui terminar a tempo, mas, foda-se, sou preguiçoso demais pra começar a escrever alguma coisa e desperdiçar não postando, então, tá aí de qualquer jeito, hahaha… Bem, passado o calor do momento eleitoral, das tensões e das briguinhas rasteiras de Facebook, é hora de botar os pés no chão e voltar a realidade. De (ante)ontem pra hoje, nada mudou, tendo ganho ou perdido o candidato pra qual você estava torcendo. Vamos cair na real e cuidar das nossas vidinhas, das nossas futilidades, das nossas merdas, galera. Com a conclusão das eleições em grande parte do país, é uma boa hora também pra deixar pra lá essas briguinhas idiotas de “meu time é melhor que o seu”, que nunca levam a lugar algum. Chega dessas besteiras, dessa busca sem sentido da exclusividade das virtudes, de achar que existe uma moral dentro da sociedade e que a sociedade realmente funciona dentro dessa tal regra moral virtuosa, correta e justa. Porque, né… caralho, as coisas não são assim.

A verdade é que a sociedade é pontuada por uma grande hipocrisia. A sociedade a qual me refiro é formada por eu, você, todos nós, pessoas comuns. Não gosto de rotular as pessoas como sendo “anjos” ou demônios”, como muito demagogo faz por aí. Prefiro pensar que todos temos partes iguais de ambos, o que faz de nós apenas humanos. E por sermos isso e mais nada – humanos – é que somos por definição total e plenamente falíveis – e altamente corruptíveis também,  e isso, vale pra todos, todos, independente de classe, cor, religião, opção sexual ou o critério que você quiser botar na mesa pra discussão. Não há verdade maior que a expressão “todo mundo tem seu preço”. Portanto, partindo desse princípio inegável, os políticos que você vai lá votar a cada dois anos (Sim, “você”, porque eu abstenho. Mas, logo chegaremos lá) e dar endosso para que assumam o poder, enfim, esses caras até então não passam de pessoas como nós, que em grande parte saíram de nosso meio e são tipos com os quais nos identificamos, nos nivelamos e nos definimos. Quando dizem que esse ou aquele corrupto e ladrão é representante do povo, isso é um fato incontestável, não tem o que se discutir. É  e pronto.  Fazendo uma análise fria do  dia a dia, em nosso meio social, das relações que temos e das pessoas que conhecemos, novamente, sem julgamento de caráter aqui, enfim… aquilo que o brasileiro realmente acredita e pratica se reflete 100% na política.

Daí, a minha posição em relação a isso: dia de votação é um dia cu, um dia de merda, nem saio de casa. Tipo assim, não concordo com as regras, não jogo. Simples. Não sou otário pra cair no discurso de que “cada formiguinha é importante na sua contribuição ao formigueiro”, isso é besteira! Meu voto por si só não muda e não acrescenta nada. Portanto, não vale a pena o mínimo esforço pra sair de casa e encarar um dia de chuva e frio pra “cumprir o meu dever cívico” de conferir uma fração insignificante que vai compor a massa que vai determinar os eleitos dentre tantos desgraçados que vão ferrar com a minha vida nos próximos quatro anos. Ou seja, sou cabalmente CONTRA o voto obrigatório. Por mim, essa porra já teria acabado faz tempo, sequer teria existido, na verdade.

Não existe essa de “voto útil” ou “voto consciente”, essas baboseiras são grandes contradições em termos. com um mínimo de consciência se chega a conclusão de que nada de bom pode vir  disso. É tudo sujo e obscuro, desde os conchavos dentro dos partidos para a escolha dos candidatos até o financiamento escuso das campanhas. E tantas mais sujeiras que só quem tá por dentro do esquema é que sabe. Além, claro, de toda a escrotidão que rola no período eleitoral, das acusações criminosas e as pesquisas fraudulentas. Enfim, os lobos tocam o puteiro e as ovelhas votam pra eleger esses mesmos lobos que botam nos seus rabos com caco de vidro e cola. Esse é o resumo ilustrado da democracia eleitoral no Brasil de hoje e sempre. Vagabundo se candidata, você vai lá e vota. Esse é o processo. E sinceramente, não tenho mesmo a menor vontade de participar disso. Votei uma vez só na vida e bem frustrado, pois, foi bem no ano em que implantaram essas malditas urnas eletrônicas aqui e nem tive a chance de rabiscar uma caricatura do Enéas numa cédula eleitoral de papel. Ou seja, essa merda nunca teve a menor graça pra mim.

O que não quer dizer que eu seja um alienado, um analfabeto político, muito antes pelo contrário. Sempre tive a política em geral como um de meus maiores interesses, faz parte da minha formação. Sempre discuti política em todos os ambientes, em casa, na rua, na escola, nas rodas de amigos. Tive até minha fase (ruim) de andar pelo meio do infame movimento estudantil, vejam vocês… Talvez, exatamente por isso, a unica ação efetiva que estamos aptos a tomar, que é a de votar, me brocha tanto. Nunca teve um filha da puta que me empolgasse a votar, a acreditar em alguma coisa, que algo vai mudar, tampouco pra melhor. São todos da mesma laia essa putada. Como disse acima, todos somos corruptíveis, só a oportunidade no momento certo para que isso fique provado. Se o cara não é ladrão agora, quando tiver “empoderado” vai ser, isso é uma lei da natureza. E o camarada pra entrar na carreira de político, já tem por fixação uma ambição maior que do Zé da Esquina, que se basta com o que ganha pra comprar o seu pãozinho e pagar suas contas. Melhor dizendo: mais que ambição: ganância, esse sim, um requisito básico pra quem quer se dar bem nesse meio.

Enfim, nunca tive uma boa razão pra votar em filho da puta nenhum e estou muito bem assim. Meu voto não faz diferença, não afeta nada. É  um jogo que já vem praticamente decidido no instante em que temos a escalação de quem vai entrar na partida, de quem são os nomes, os partidos, as empresas que estão financiando essa putaria toda, mais quem a mídia apoia, deixando a culpa unicamente pra você, eleitor, de não cagar no pau ao digitar seu voto nas urnas.

 

Enquanto esse sistema porco e viciado se mantiver, com esses mesmos coronéis e nomes manjados e comprometidos, estou fora. Quebrar a cabeça pra tentar encontrar um candidato “menos pior”  não é o bastante (e na maioria dos casos, não existe essa possibilidade, como bem se pôde atestar nessa ultima eleição), além de ser burrice e antiético. Não compensa sair de casa pra isso. Olha quem são os candidatos da sua cidade, dá pra botar fé nessa corja, nessa escumalha? E, olha só: muita gente concorda comigo. É  só ver que a cada eleição que passa, o número de pessoas que deixam de comparecer às suas seções eleitorais vem crescendo cada vez mais. Não é só preguiça,mas, descontentamento mesmo. isso, e a consciência de que apesar da falácia de que o voto é obrigatório – mesmo sendo um “direito” adquirido – na verdade, não é bem assim.

Exatamente isso o que você acabou de ler, arguto Contronauta: O VOTO NÃO É OBRIGATÓRIO. Se você tá se sentindo desconfortável ou puto de raiva mesmo por, além de ter perdido parte do seu domingo indo votar ontem, vai ter que fazer isso de novo no fim do mês, saiba que só vai ter que ir mesmo se você quiser. Ou seja, pode dar o cano no segundo turno, dia 30, que não vai pegar porra nenhuma por seu lado. de verdade, fucking serious.

A punição para quem deixar de ir votar, por turno, não passa de exorbitantes… R$ 3,51, mais barato que a condução que eu teria que tomar pra ir à escola que sou lotado. E essa multa é cumulativa, ela fica lá até você ir no seu cartório eleitoral quitar sua situação cadastral. É só ir lá e pagar o boletinho e tá tudo certo, putada! Você não vai pra cadeia ou pagar uma cesta básica, nem nada do tipo. Porra, são R$ 3,51 por cada turno… Cada eleição são dois turnos na grande maioria dos casos. Vai morrer R$ 7,02 a cada dois anos que deixar de votar, puta negocião do caralho!

Pra mim,  o primeiro passo pra uma hipotética reforma eleitoral e que vise a atender os interesses da população e não desses bandidos engravatados vem daí: do desdém, do escárnio direto e reto à essa estrutura falida sufragista, que não nos convém. Não ir votar, mais do que um ato de “rebeldia” frívolo e insignificante, é a unica forma de se por contra ao sistema e deixar claro que você não é gado seguindo o fluxo. A unica opção além da desobediência é  continuar a  comparecer caninamente a cada eleição e dar o seu voto para esse ou aquele candidato aleatório. Você estará conferindo a ele uma condição de sair da ralé e se tornar algo mais do que um mero cidadão, muito acima de você e dos seus. A partir desse ponto, já não se aplica o lugar comum de “que todos os cidadãos são iguais perante a lei”. não tem como. Do instante que tu vai lá e vota no filha da puta, e ele se elege, esse cara já não é mais uma pessoa comum. E isso não sou eu que estou dizendo aqui. Você escuta essa porra o tempo todo, em qualquer lugar. A imprensa vive dizendo isso, vive vendendo esse discursinho rasteiro de que todos somos iguais, mas, a verdade é que NÃO É ASSIM. no Fucking Way.

Não é porque uma porra tá escrita no papel, que é a verdade absoluta.Não dá pra levar a sério, porque na prática, a coisa é totalmente diferente. Sério, vamos parar de palhaçada ao menos nos próximos minutos em que você vai estar lendo esse texto e pensar de forma fria e racional. Sem mimimi, sem bububu, sem frescurite…Vamos começar a ver esses putos de merda como pessoas reais, como gente próxima a nós, que erram, que tem desvios de caráter, ódios e preconceitos como eu tenho e você também. Não sejamos idiotas pra achar que um Renan, um Collor, um Aécio ou um Lula da vida sejam cidadãos comuns. Qualquer um desses lixos tem poder pra foder com a vida de qualquer um, inclusive, de sumir com qualquer babaca do mapa se lhes der na telha. E obvio, não é qualquer mané que tem poder pra isso. Então, não vamos ser inocentes de dizer que são pessoas comuns porque não são.

A visão que a gente precisa ter é profunda, racionalista e crítica em relação à política. É acompanhar, seguir e passar a entender do que está falando, pra passar as outras pessoas, que não tem o mesmo grau e nível de instrução, consciência e discernimento. Não com esse viés maniqueísta, levantando  essas bandeiras politicas, e defendendo “ideologias” por pura adesão, com essa pompa de moral superior e absoluta. E focar nos fatos, de forma mais crua e precisa, pra que assim as pessoas possam tirar por si mesmas a SUA moral e julguem de acordo com seus preceitos e conhecimentos adquiridos e não com a moral daqueles poucos que detém algum conhecimento e informação e sabem manipular a ambos.

Só assim pra sair desse escapismo barato,  desses julgamentos e moralismos de merda  e achar que o povo deve ser instruído por uma grande “inteligencia” culta, que sabe o que é bom e o que é ruim pra gente e que geralmente é o lado que a gente defendee acredita. Chega dessa bosta. Se a gente acha que a politica deve mudar, vamos começar por nós mesmo, vamos  pensar na nossa realidade – ou aquilo que chamamos de realidade… Vamos pensar nas coisas que atinge a todos nós de uma forma mais ampla, prática e  realista. Parar de tratar das coisas importantes como pseudo analistas políticos ou economistas de mesa de bar. Parar de bostejar no Facebook é uma boa também.  A maioria das pessoas que vomitam seus lixos mentais não entende porra nenhuma dessas coisas, de nada do que tá palpitando. O máximo que a maioria das pessoas domina é o preço dos alimentos básicos, roupa, da gasolina, das suas contas, da novela, da vida do vizinho e olhe lá…

Porque, por mais paradoxal que seja, por mais lixudos e danosos que sejam, toda a culpa de todas as desgraças do mundo não é apenas dos políticos. Ela é de todo mundo, minha, sua… Todos somos responsáveis por fazer desse mundo essa bosta que é. O político, como em qualquer classe, é produto do seu meio, no seu pior. Esses pulhas estão absolutamente acima da lei e devem ser vistos e tratados dessa forma, como bandidos profissionais – e perigosos.  Portanto, se você acha que o seu papel enquanto cidadão é apenas o de ir de dois em dois anos na base do cabedal e escolher quem vai ser o arrombado que vai te currar, e que é só isso, acabou sua responsabilidade, ok, siga votando. Só não vale botar banca de cidadão engajado no Facebook. Se a gente se contentar apenas em continuar se iludindo de que  é assim que as coisas são, de que basta ir cumprir seu dever de cidadão, validar o processo eleitoral e o resto, “deus” proverá… enfim, se você realmente acredita nisso, se acredita no Brasil, bem…  a vida pra você vai continuar mais irreal que o gibizinho da Arlequina que você lê apoplético com um fiapo de baba bovina escorrendo pelo canto da boca.

Mas, acredito que você não pense assim. Afinal, você está aqui, me lendo. E se você chegou até aqui, ao final, sem jogar seu computador pela janela ou pisar no seu celular, algum pingo de bom senso tem, ou pelo menos ainda não é um caso perdido e isso já é alguma coisa.

 

 

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