Top 10 Discos De 1994, O Ano Em Que o Rock Morreu

Essa ideia de classificar as coisas por períodos, como ano, década, séculos, etc., pra mim nunca passou de uma comodidade pratica, uma convenção numérica. Mas tem alguns poucos casos em que isso se justifica e vez ou outra, isso ocorre com a musica moderna ou mais necessariamente o que todo mundo entende como  Rock n´Roll. Ai sim é possível afirmar com alguma certeza de que alguns anos tem sim mais importância do que outros, ainda mais depois de passado um bom tempo e ao analisar à quantas (merdas) andam a cena musical pelo mundo.

E, pessoalmente (como tudo o que escrevo aqui), 94 foi um ano muito importante musicalmente. Não só por ter sido em 94 em que  passei a me interessar intensamente por musica em geral, hábito esse que pretendo seguir até morrer. Mas vendo o que veio a seguir de lá até aqui, hoje dá pra afirmar sem medo de errar que 1994 foi o ultimo ano em que o rock teve consistência, relevância e  uma força criativa, que nunca mais foi alcançada em mais de 20 anos. Depois disso, foi só ladeira abaixo… uma decadência do caralho, a volta dos velhos dinossauros de décadas passadas, a ressurreição do putrefato rock dos anos 80, as novas bandas e seu som retrógrado, pau mole e saudosista… Enfim, tirando algumas coisinhas bem pontuais aqui e alí, que dão pra contar nos dedos (do Lula até), depois de 1994 a cena rocker mundial entrou numa entressafra, numa ressaca criativa da qual nunca mais saiu – é só ver quais são os discos mais vendidos, quem tá ai pagando de fodão até hoje, essas bandinhas indies de um hit só e por aí vai…

 

Então, sem querer dar uma de nostálgico e saudosista (coisa que eu detesto), e indo contra a propsta do Contra, segue ai um Top 10 (+1) – desta vez só com coisa boa – com o melhor do Rock mundial circa 1994, que talvez (com muita certeza, na verdade) tenha sido o ultimo ano em que ainda existia alguma variação e pluralidade de sons (claro que teve muita merda também, tipo, Rappa e Chico Science, mas não convém falar dessas bostas pra não apatifar o tópico):

10 – Jeff Buckley – Grace: é um disco razoável e muito longe dessa Coca-Cola toda que a mídia “entendida” e esses índies de merda adoram dizer. Tirando isso , tem muita coisa legal, apesar de a musica mais conhecida desse trabalho ser “Halleluyah”, uma cover do Leonard Cohen (pros neófitos que começaram a ouvir musica na semana passada: é aquela musica que toca bem na hora da foda no filme do Watchmen).

Seja como for, apesar de ser um músico de talento e ter virado modinha comum na boca da nossa considerada imprensa, Buckley era um cara, digamos… atormentado. Pois só isso explica o seu fim trágico / cômico: o cara, no Rio Mississipi num barquinho de madeira em uma bela tarde enevoada  desapareceu laconicamente acompanhado de seu violão mandando Whole Lotta Love do Led Zeppelin, foi sumindo, sumindo, sumiiiiiiiiiiiiiiiiiindo… e seu corpo putrefato só foi encontrado tempos depois. Tem como não rir de uma coisa dessas? Imagina a cena! É de foder… Mas como nem tudo são essas mil maravilhas toda, tenho que dizer que apesar de ter deixado um dos melhores discos da década, o Jeff Buckley vai ser sempre execrado aqui no Contra! por ser um dos principais responsáveis por essas bandas mela cueca lamuriosas e chorosas que flertam copiosamente com o emo, como o Muse, o Coldplay, duas das bandas mais chatas da atualidade, fora um monte de outras, dessas bandinhas índies one hit wonder, que pipocam aos montes nesses festivais de R$ 800,00 a entrada.

9- Beck – Mellow Gold: mais um que também pode ser culpado por uma porrada de bandas malas que vieram na sua aba, como por exemplo, Kid Rock, Jamiroquai e outras que passaram a seguir a cartilha de misturar da forma mais canhestra possível estilos dissonantes como rap, folk, funk e rock, o que geralmente dão em coisas no mínimo duvidosas na melhor das hipóteses. Pra isso basta dizer que muita coisa dessa mistureba do caralho inspirou a Marisa Monte a catar do lixo o Arnaldo Antunes e o nefasto Carlinhos Brown pra formarem os execráveis Tribalistas (aaaaaargh!!) e que o cara é amigão do Caetano. Porra, pior que isso só se o Beck fosse petista, mas enfim… Apesar de muito de sua fama ser injustificada pela bajulação desmedida do pessoal das revistas e suplementos musicais de ser provado que é uma farsa ao vivo (quem viu sua apresentação no Rock In Rio III sabe do que eu to falando), Mellow Gold, o único disco de toda sua discografia que prestou e tem algumas musicas muito bacanas além da manjadíssima Loser.

8 – Nine Inch Nails – The Downward Spiral: um disco excelente (pros padrões do tal “rock industrial”), com uma premissa musical bem interessante que infelizmente foi deturpada pelo pessoal que veio depois sugando nesse estilo (Ministry, Marilyn Manson, Guns e mesmo o próprio NIN), o que acabou afastando muita gente do gênero, que hoje em dia está totalmente falido. Mas pelo menos esse disco tem muita coisa boa que se salva, sobretudo “Hurt” que apesar de ser bem anos 90, ainda é uma das melhores coisas já feitas em matéria de som “pesado” até hoje.

7 – Pavement – Crooked Rain, Crooked Rain: nos anos 60 tinha a banda do Lou Reed, o Velvet Underground, que foi responsável por um punhado de musicas que estão entre as melhores já feitas na historia (pra mim). Essa banda influenciou muita gente que veio nas décadas seguintes – muito mais do que até deveria – que passou a copiar todas as esquisitices dos caras, mas nem sempre com os bons resultados da fonte. Mas o Pavement, outra banda deveras boqueteada pela mídia adesista, até que se saiu bem em suas tentativas. Tem um outro disco deles (de 92 eu acho), o Slanted Enchanted  que eu acho melhor, mas pode-se dizer que foi esse disco de 94, Crooked Rain… que deu inicio ao boom do que hoje é conhecido como indie rock – logo, tudo de bom e de ruim (e teve muuuuuuita coisa ruim, aliás, ainda tem) que veio disso pode ser atribuído em grande parte ao Pavement.

6 – Blur – Parklife: pra quem acredita nessa historinha de que existe uma real rivalidade entre bandas, pode-se dizer que o Blur é o inimigo nº 1 do Oasis, já que ambos surgiram ao mesmo tempo, no mesmo país e lançaram seus maiores sucessos no mesmo ano. Mas apesar de o Blur ser uma banda mais qualificada, diversificada e criativamente mais interessante que o Oasis, os caras nunca tiveram a mesma repercussão e reconhecimento – pelo menos o Damon Albarn se deu bem com o Gorillaz anos depois. Mas seja como for, Parklife é o melhor disco dessa bandinha inglesa e musicalmente ainda consegue soar mais moderno e original do que muita coisa de hoje.

5- Oasis – Definitely Maybe: apesar da concorrência Blur / Oasis, foi este disco que jogou pro topo do hit parade (hahaha) o Britpop. Apesar dos irmãos Gallagher serem dois chatos de galocha, eles em muitas de suas atitudes extravagantes encarnavam o espírito do Contra! de ser (o que dizer de uma banda que fala a merda que quer onde quer e que acabou por causa de um violão quebrado?) e isso é coisa rara hoje em dia com tantos índies aviadados e tiozinhos afetados dominando a cena musical. Mas uma coisa é certa: Definitely Maybe é um discão, o melhor dos mauricinhos, mas não chega nem perto de qualquer peido dos Beatles.

4 – Weezer – Blue Álbum: caralho… riffs de guitarra simples e grudentos, vocais chorosos e letras sobre dor de corno, draminhas pessoais (pelonasmo) e – PASMEM – rpg: tem como cogitar a idéia de sair algo de bom disso? Pior que tem! Indo contra todas as expectativas (com uma premissa dessas!), esse álbum do Weezer é um dos melhores de toda a década de 90 e na minha opinião alem de top 10 fácil de melhores estreias ainda é um dos raríssimos discos que são 100% aproveitáveis do começo ao fim.

3 – Offspring – Smash: pra mim, foi onde tudo começou. Na verdade, junto com o Green Day, é claro. O Offspring foi por uns 15 minutos a maior banda do mundo (revezando com… o Green Day, hahahaha) e isso não é dizer pouco, ainda mais numa época em que todo mundo tava abalado pela morte do Burt Cokain e mais afoito ainda em achar um substituto à altura pra poder continuar vampirizando. Mas a verdade é que se não fosse pelo Smash e depois pelo espetacular Ixnay on The Hombre, o Offspring seria mais uma de muitas bandas californianas que ficariam restritas ao seu pequeno séquito de fãs skrotistas, pseudo-punks de butique, retardados e afins, ou seja, nada de bom.

2 – Green Day – Dookie:  me lembro até hoje de como eu tomei conhecimento do Green Day: foi (em 94, dããã…) quando eu tava alucinado por tudo de som que eu pudesse curtir, numa época que a revista Bizz e demais revistas impressas eram relevantes de verdade (o que não duraria muito tempo depois disso), em que saiu uma matéria se não me engano chamada “os novos reis do punk” – ou algo assim – com uma arte de uma carta de baralho de Rei com o Billie Joe Armstrong de um lado e o Johnny Rotten, dos Sex Pistols do outro. Havia muita especulação e comparação entre os estilos e as épocas de cada uma e graças a isso, acabei me interessando em ir atrás das fontes e conheci muita banda bacana deste estilo que talvez seja o mais influente de todos o que existem (metal é o caralho, pau no cu!).

 

Quanto ao Dookie, não tinha como os caras errarem: batidas grudentas de 3 acordes, refrões chicletudos, melodias simples, mas que eram diversão garantida em quase todas as festas ou ensaios de qualquer bandinha naquela época. Bem melhor do que eles (hoje já tiozinhos) vem fazendo hoje em dia enveredando pelo emo desde o American Idiot.

1 – Kyuss – Welcome To Sky Valley: o Kyuss e o que veio depois deles são o que há de melhor em toda a musica pesada de todos os tempos. É musica pra macho, não essa porra de coturno, calça colada no rego e cabeleiras esvoaçantes que a gente vê por ai e que neguinho acha a coisa mais “fodona” da face da terra. basta dizer que do Kyuss originou a melhor banda do mundo em atividade: o Queens Of The Stone Age. Esse disco foi tão foda que na época nenhum filha da puta tinha onde enquadrar essa porra e tiveram que tirar do cu o termo “Stoner Rock” pra definir o som que esses caras faziam, cuja base era o melhor do melhor do verdadeiro punk rock (Pistols) e da talvez única banda de heavy metal que realmente presta (Black Sabbath). Esse era o som de responsa que o Josh Homme, com 16 anos na época fazia e o resultado disso é que hoje o cara é um dos poucos sujeitos que ainda faz algo de novo no rock mundial.

Hors Concours absoluto:  Nirvana – Unplugged In New York: acho que tenho pouco a dizer sobre este disco que já não tenha sido dito, mas enfim, foda-se, la vai: O MELHOR ALBUM ACUSTICO DE TODOS OS TEMPOS E NÃO SE FALA MAIS NISSO.   

 

E é isso. Mais uma vez, Contra! inovando (em seus padrões) e mandando uma critica (+/-) otimisita, porém realista e 100% ao espírito critico, anárquico e contestador característico do blog mais maldito da internet. Agora é com vocês: opinem. Digam o que acharam, pois apesar de não parecer, seu feedback é (em termos) muito importante pra que possamos sempre melhorar – mas a bem da verdade, a gente vai continuar fazendo as coisas do jeito que a gente quer mesmo e foda-se, hahahahahaha.

 

 

1 comentário

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s