Jesus Cristo da porra, Steve Dillon Morreu!

A maioria dos leitores de quadrinhos brasileiros (principalmente os bazingueiros modinhas) conhecem o trabalho do  desenhista Steve Dillon (que morreu hoje de manhã, aos 54 anos em NY), com o roteirista Garth Ennis na criação do clássico absoluto dos anos 90,  Preacher – na minha opinião, uma das maiores HQ´s de todos os tempos. Mas, fora isso, ele  teve muitos outros trabalhos importantes e memoráveis, tanto na Marvel, quanto na DC, como algumas das melhores fases de títulos como  Punisher e Hellblazer, também com Ennis; Animal Man com Peter Milligan; Punisher Max, com Jason Aaron; e um monte de séries da Marvel tipo, Punisher vs Bullseye, Deadpool, Wolverine Origins e Thunderbolts, com o clone defeituoso de Ennis, o Daniel Way (ok, essas histórias são péssimas em sua maioria).   Seu ultimo trabalho foi com a desenhista/roteirista goredelicia Becky Cloonan, novamente em Punisher, personagem ao qual o falecido esteve mais associado durante toda sua carreira.

 

Apesar de ter ficado mais conhecido por seu trabalho no mercado americano, sua obra vai muito além disso. Antes de enveredar pelo meio mainstream de super-heróis, onde seguiu até o fim, Dillon co-criou o obscuro personagem  Absolom Daak para a Marvel UK, e desenhou para a famosa  Revista Warrior, – a mesma que publicou Miracleman, de Moore e Gayman – e o Juiz Dredd para a  2000AD, que foi onde ele começou sua pareceria com Garth Ennis, daí a dupla  trabalhando em Hellblazer , redefinindo o o personagem  John Constantine antes do sucesso estrondoso de Preacher.

Quem acompanha as notícias do meio, sabia  que ele  andava bem doente e acabado nos últimos anos. Inclusive, tendo sido internado algumas vezes, por conta da cirrose que sofria e que provavelmente foi o que acabou levando-o ao túmulo – é, o velho gostava pra caralho de uma cachaça… Apesar disso, parecia estar melhorando, mesmo tendo emagrecido  dramaticamente a la Frank Miller em suas ultimas aparições públicas e, depois de um período meio afastado dos quadrinhos, sua carga de trabalho foi incrementando. Ele voltou regularmente no novo volume de The Punisher na Marvel  e fez um arco de duas edições na revista da Feiticeira Escarlate . Dillon também estava indo a convenções em todo o mundo, a fim de promover a xoxa adaptação para a TV de Preacher e assim, novamente recebendo todos os devidos créditos e elogios pelo sua criação mais conceituada e querida.

Mas, infelizmente, hoje, seu irmão,  Glyn Dillon divulgou a triste a notícia de sua morte no Twitter, que, logo foi confirmada por outros autores proximos a Dillon:

https://twitter.com/warrenellis/status/789830547975659521

https://twitter.com/jpalmiotti/status/789836896553803776

Sua morte é sem dúvidas uma grande perda para os quadrinhos. Steve Dillon nunca foi o desenhista  do traço mais bonito do mundo, mas, dentro de suas muitas limitações estéticas, tinha uma porrada de qualidades. Seu estilo era bem simples, ele era um verdadeiro mestre na questão de narrativa visual e caracterização de personagens. O cara era foda no storytelling, e igualmente competente fazendo  suas clássicas cenas de pessoas apenas conversando num bar, ou arrebentando nas cenas de ação, estilo filmes do John Woo. E também um dos melhores artistas para ilustrar situações escatológicas e de humor negro. Provavelmente, Dillon é um dos desenhistas com mais obras listadas num Top 100 de melhores HQ´s de todos os tempos. Além, é claro, de ter criado o visual definitivo de caras como Frank Castle e John Constantine. Enfim, Passei muitos anos lendo e me divertindo com suas  HQ´s.  O velho bebum  vai fazer falta para o mundo dos quadrinhos.

E é isso aí…Pêsames do Contra à família, aos amigos de Steve  e aos seus fãs. Ele deixa um legado foda pra caralho, muito difícil de ser alcançado pela maioria de seus colegas desenhistas . Descanse em paz, Steve Dillon.

RIP Steve Dillon

steved

(1962-2016)

 

 

 

4 comentários Adicione o seu

  1. Nosferatuzod disse:

    Pois zé. A manguaça fez mais uma vítima.

    Mas o legado do cara é de fazer inveja a muito artista do “traço barroco” que temos por aí.

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    1. Imperador disse:

      Verdade… Pra artista de traço barroco e barroso também, hahaha

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