Top 25(!!) do Contra: Tributo Steve Dillon + Elegia Por Garth Ennis

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É  assim que se faz: quando se referir a um artista, use uma arte feita por ELE

Na manhã do último sábado, saiu a notícia de que o grande desenhista Steve Dillon, responsável pela arte de algumas das melhores histórias em todos os tempos de títulos como  Punisher,  Hellblazer, além de criador do  clássico dos clássicos, o foderoso Preacher, faleceu em Nova York, devido a um rompimento do apêndice, em decorrência de uma intoxicação alimentar. Ou seja, nada a ver com a maldita cirrose da qual ele sofria há muitos anos. 

Como já comentado por aqui no Contra em postagem anterior, Dillon tinha uma grande domínio narrativo e excelente condução narrativa, fazendo suas páginas muito amigáveis e com uma fluidez ímpar de se ler, apesar do seu traço não ser muito bonito, nem atraente. Suas cenas de ação eram algumas das melhores, além de saber incorporar muito bem o humor em seu traçado, principalmente nas expressões faciais de seus personagens. Goste você ou não de seu estilo, o pudim de cana deixou dezenas de HQ´s clássicas e que estarão eternamente entre as melhores de quase todas as listas que sairão – fora as tantas que já existem. Realmente, a morte do velho Dillon foi uma grande perda para o meio quadrinístico.

De Garth Ennis:

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em sentido horário: Steve Dillon, Axel Alonso, Garth Ennis e Pamela Rambo, o time responsável pela HQ mais foda dos anos 90.

Steve gostava de tomar uma biritinha ou duas, e, verdade seja dita  foi assim como a maioria de nós o conheceu. Ou talvez seja mais correto dizer que Steve gostava era do pub, porque é lá onde você vai encontrar com as pessoas, e Steve amava as pessoas. Ele as achava indefinidamente interessantes, e ficava feliz por falar com qualquer um.

Ele mudou a minha vida de várias formas. A primeira foi com um telefonema, de algum lugar no final de 91: “Tudo bem, companheiro, eu estou pensando em dar uma passada em Nova York no ano novo, talvez por um longo fim de semana. Legal, né? “A segunda foi com mais de duas décadas de colaboração artística brilhante, onde ele fez toda a loucura que eu joguei em cima dele  funcionar perfeitamente, a cada momento.

Nós nos encontramos em Londres no verão de 89, mas foi só no ano seguinte, em Dublin, que deu aquele click. Depois  que todo mundo capotou, nos sentamos juntos até o amanhecer e matamos uma garrafa de Jameson, falando sobre o que queríamos fazer nos quadrinhos – o que nós pensávamos que poderia ser feito com eles, para o  que servia essa mídia (…)

A última vez que vi Steve era um sábado à noite em Nova York, andando pela Quinta Avenida a caminho do hotel, depois de dizer boa noite na saida do Foley. Poderia ter sido o fim de qualquer uma das mil noites. Não é uma má última lembrança de se ter. Steve foi o meu padrinho de casamento e meu bom e querido amigo. Eu acho que ele provavelmente me ensinou mais sobre o que essa palavra significa que qualquer outra pessoa.

Eu bebi com Steve Dillon de Dublin a Belfast, de Londres a Glasgow, a partir de San Francisco a Nova York. Não tenho uma única queixa a fazer. Saúde, companheiro.

Como sempre curti o seu estilo e acompanhei quase tudo que ele publicou nos ultimos 20 anos, do Hellblazer em diante, acho muito justo e merecido uma homenagem de nossa parte à esse cara, cujo trabalho me divertiu tanto, assim como, imagino, muitos de vocês que estão me lendo agora. Então, fica ai uma seleção (sem nenhuma ordem específica) com 25 das melhores peças do grande Steve Dillon (poderiam ser 50)  pra você apreciar e ver como é que se faz um trampo foda pra caralho, porém, simples e funcional.

JC encontra JFK.

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Standing Tall: essa é a página de fechamento do primeiro arco de histórias de Preacher, Rumo Ao Texas e, na minha opinião, a imagem mais icônica do Reverendo Jesse Custer. Esta arte é uma das minhas favoritas nos quadrinhos.

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A “morte” da Tulipa: tudo muito foda nessa sequência. Objeto de estudo obrigatório para desenhistas noviços.

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O Frank Castle definitivo: o ódio e desprezo pela vida humana em pessoa.

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Los 3 amigos. do final de Preacher.

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A cara desse urso… me cago de rir até hoje disso.

A clássica cena do confronto Demolidor X Justiceiro e que foi parcialmente recriada na série da Netflix. Mas, no gibi ficou beeeeeeeem melhor.

Merda.

Serial Si: o assassino que arrancava a cara de suas vítimas e depois as pregava de volta. 15 anos antes do bosta do Scott Snyder mostrar Coringa novos 52 vindo com palhaçada, foi feito por Ennis e Dillon em Preacher e muito melhor.

Sonho meu fazer isso um dia. Bem, já joguei uma bíblia pra uma dupla de pastores alemães destroçarem… Já é alguma coisa, hahahahahaha

Jody é um dos maios filhos da puta dos quadrinhos e essa é a sua morte, outro grande momento de Preacher.

Jesse X Cassidy: o ápice do finale de Preacher. Puta briga.

Toma uma privadada nas ideias, FDP! Hahahahaha

Uma das cenas mais hilárias e patéticas de tantas protagonizadas pelo Herr Starr, o melhor vilão dos anos 90.

ISSO é tomar uma patada na cara – literalmente!

O clássico aniversário de 40 anos de John Constantine e a alegria da festa, cortesia do Monstro do Pântano em seu melhor uso de suas habilidades (pra quem curte, é claro).

Uma foda matadora…

Pra mim, o Cara de Cu é o Steve Carell dos quadrinhos: só de ver, já começo a rir.

Hulk esmagando DE VERDADE!

Boom!

“E vê se corta esse cabelo.” Melhor diálogo e cena de abertura de uma HQ de todos os tempos.

Buddy Baker dando uma fungada gostosa no fiofó da vizinha.

Isso sim é um verdadeiro massacre! Coisa linda de se ver!

O calaboca definitivo.

Alguém chama o Galvão pra narrar esse gol espetacular do Frank Castle, porfa.

Agora, a minha preferida de todas. Na verdade, é uma sequência de 6 páginas da primeira edição do volume 1 do Justiceiro no selo Marvel Knights, estréia da dupla Ennis & Dillon no personagem que eles iriam cunhar a versão definitiva. Ao voltar pra Nova York, depois de ter sido morto e ressuscitado como um anjo (sem comentários por ora…), Frank Castle decide desbaratar a quadrilha da escrotíssima Mama Gnucci, e já de cara mostra a que veio, deitando um monte de capanga na bala, ele leva o chefe da cambada pro topo de um prédio e joga o vagabundo lá de cima. Pra mim, essa é a sequência mais engraçada e inesquecível – de tantas –  de toda a parceria desses dois mitos, que, juntos produziram algumas das minhas histórias favoritas entre as milhares de HQ´s que li em toda vida. Só essas 6 páginas já valem esta postagem. O resto, vem de bônus.

Uma sequência perfeita.

RIP Mito Steve Dillon

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1962-2016

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