Star Wars – O Despertar da Força passou gigantesco, imponente, mas passou como um “meteoro”

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(*)Texto escrito originalmente em 12/2015 para o finado site Tralhanerd, ao lançamento do filme nos cinemas. Aproveitando o lançamento do novo filme, estamos republicando aqui. Posssivelmente, faremos uma crítica  de Rogue One assim que assistirmos.

“Há muito tempo atrás, em uma galáxia muito, muito distante…”
Alguns rabiscos feitos a lápis em um caderno qualquer do até então jovem cineasta George Lucas, definiam o que viria a ser, décadas mais tarde, uma das franquias mais amadas e lucrativas do mundo do entretenimento. Seus escritos iniciais traziam eventos, personagens, lugares e nomes que em sua incorporação definitiva acabaram assumindo versões completamente distintas mas que, ao que parece, jamais saíram completamente do radar dos autores.
Já na segunda trilogia que serve de “prequela” para a primeira, vemos nomes de personagens, como foi o caso de Mace Windu, que se encontravam presentes já nos rascunhos iniciais e alguns eventos que foram redefinidos para que a trama se desdobrasse para abraçar um arcabouço mais abrangente para aquele universo. E ao que parece, na nova empreitada, o fato se repete com a inserção do nome da grande estação/planeta/arma Starkiller que advém do sobrenome original de Luke e de uma nova convergência da Força, só que encarnada desta vez, em uma figura feminina.
Aliás, para quem ainda não sabe, o herói da história original, Luke Skywalker, havia sido imaginado em sua gênese como uma bela jovem.
Muito se especulava a respeito de quem seria o detentor do título de herói oficial para nova saga que se descortina; a qual personagem seria passada a “tocha” (Sabre de Luz, neste caso) e, para a surpresa de alguns, a grande felizarda é a personagem Rey interpretada com muita força e carisma pela atriz Daisy Ridley. Sua personagem, uma “sucateira” aparentemente órfã e que vive radicada no inóspito planeta Jakku, é permeada de uma aura de mistério que ao longo do filme faz um claro paralelo com o já veterano Luke Skywalker. Seu passado, sua ligação com a Força e, principalmente, o seu papel final na nova trilogia ainda serão motivo de muita discussão no meio nerd.

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E por falar em discussão, tivemos no espaço virtual todo o tipo de teoria em relação ao andamento da trama até aqui e muita, mas muita opinião divergente a respeito de o quão as decisões tomadas pelos roteiristas foram acertadas ou malogradas.
Tenho ouvido muitos elogios, acalorados e exageradamente apaixonados, até. Mas isto é uma reação compreensível dado o imenso “hype” que a nova saga vem alimentando desde que fora anunciada a compra da Lucasfilm no ano de 2012 pela toda-poderosa Disney Company. A prova de que toda a expectativa fora correspondida talvez seja o assombroso montante arrecadado na sua estreia (U$ 529 milhões até agora) e a recepção positiva continua com as vendas dos produtos licenciados ao redor do planeta.
Mas, afora todo o sucesso comercial da nova empreitada da Disney/Lucasarts, STAR WARS – O DESPERTAR DA FORÇA, foi tudo isso mesmo?

Eu diria que sim. E ainda diria mais: Star Wars VII, é o entretenimento que precisávamos para preencher a lacuna que se abriu com o encerramento das últimas grandes sagas do cinema, Harry Potter, Senhor dos Anéis e, principalmente, a segunda trilogia que até poucos anos atrás parecia colocar um ponto final nas aventuras dos Cavaleiros Jedi dentro das telonas. Eu até já apostava na retomada da saga em um programa televisivo já que, devido ao sucesso de séries como “Clone Wars” e “Rebels”, esta parecia a plataforma definitiva para as aventuras na “distante galáxia de um passado longínquo” pelos próximos anos.

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Nem tudo são flores.
Sim, meus caros Contronautas, eu não consigo aliviar nem mesmo para esta que é uma das franquias cinematográficas da qual sou um baita fã ardoroso. Apesar de todos os acertos, de toda a demonstração de respeito ao material original e à legião de fãs, J.J. Abrams não produziu uma obra livre de retoques. E nem acredito que este tenha pensado desta forma, já que se trata de um cineasta experiente e que se encontra do outro lado da cadeira uma vez que se declara nerd assumido e fã incondicional do trabalho de George Lucas. Mas eu acredito que, a exemplo do capítulo inicial da segunda, esta terceira trilogia também sofre com a necessidade de introduzir todo um cenário permeado de tramas, sub-tramas e complexos backgrounds em pouquíssimo tempo de tela.
Os heróis:
Rey, Finn, Poe Dameron e o simpático astrodroide BB-8 são os principais mocinhos da nova ópera. Os pontos fortes dos personagens é justamente o frescor que parecem trazer à saga com suas personalidades mais afinadas com a nova audiência como é o caso dos jovens aventureiros Finn e Rey. Finn (John Boyega) é o típico personagem que é atirado de cabeça no lodo do conflito para, em seguida, ser auxiliado pela sua própria necessidade de se localizar dentro da trama. Ao cruzar seu caminho com o da bela Rey (Daisy Ridley), Finn se encontra numa clássica encruzilhada: o dilema entre seguir o instinto de sobrevivência ou seu coração.
Piegas, cliché, previsível… mas bastante funcional. Principalmente dentro da proposta do universo de Star Wars. Até este ponto, eu acredito que a única falha é a inserção de Rey e Dameron. Tanto um quanto o outro parecem oscilar dentro do filme feito folhas no vento. Se por um lado Rey demonstra astúcia e tenacidade em sua luta pela sobrevivência no desértico planeta, pelo outro a sua retirada do mesmo não provoca nenhuma reação ou abalo; seu lar parece pouco plausível, quase como se Abrams tivesse esquecido de dar “vida” a Jakku. Apesar de esta se mostrar relutante em abandonar seu lar sob o claro pretexto de aguardar pela volta de quem a largou lá, sua estada, assim como a sua partida de Jakku não pareceu significar nada tanto para o andamento da história quanto para a própria personagem. Luke quando saiu de Tatooine passou por toda uma construção motivacional. A mensagem que o desperta para a aventura, o envolvimento com Bem Kenobi e a descoberta de seu legado, culminando com o assassinato de seus tios o forçam a abandonar seu lar e sua vida rumo ao desconhecido. Mesmo o pequeno Anakin em Star Wars – Episódio I passa por todo um processo de maturação até realmente ser inserido na sua grande jornada.
Poe Dameron (Oscar Isaac) se mostrou uma ferramenta crucial para as cenas de ação efervescentes (e até exageradas) de boa parte do filme, mas só. Pareceu uma participação especial de um personagem de outra franquia já estabelecida, como foi o caso do Falcão Negro em “Homem Formiga”. Mas seu filme “Rogue One”, irá estrear apenas no próximo ano. Creio que um tempinho maior de tela ou uma ou duas linhas de diálogo mais relevantes garantiriam um pouco mais de alma ao herói rebelde.
Já o pequeno astrodroide BB-8…
Bem, é um droide simpático, com design ousado e inovador; vai vender pacas.

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Os vilões:

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Ah, os vilões. O cerne, a espinha dorsal do conflito, o nêmese de todo grande herói. O que seria de Star Wars sem o inesquecível Darth Vader ou seu sinistro mestre, o enrugado e pernóstico Imperador Palpatine? O que seria do exército de clones da República Galáctica sem o asqueroso General Grievous e seu exército de droides?
Pois é, um bom vilão determina o quanto o caminho do herói será espinhoso e de que material o mesmo é feito. Mas acredito que neste ponto da minha análise, o já calejado nerd deve ter adivinhado qual será o tema das próximas linhas. Kylo Ren. O tão esperado antagonista deste início de franquia. O herdeiro do manto sombrio do lado Negro da Força.
Sinceramente, eu não sabia bem o que esperar desta personagem. Todo o background, suas relações com o restante do panteão vilanesco, sua ‘leitmotiv’… tudo sempre ficou às escuras durante a promoção do filme. E permaneceu assim mesmo depois.

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Não que permanecer envolto em mistério seja algo negativo para uma personagem que se faça importante para a trama, muito pelo o contrário. Na verdade, fiquei satisfeito em saber que Kylo Ren não foi inserido como apenas um vilão de um episódio só; assim como foi a triste sina de Darth Maul em A Ameaça Fantasma (1999).
Sua passagem pela película, longe de ser impactante ou emblemática, foi, muito ao contrário, hilária. Sim, eu ouvia risos da plateia do cinema sempre que Ren dava “pitis” e “siricoticos” pelas dependências da base da Primeira Ordem toda vez que seus planos davam com os burros n’água. Não que eu não tenha entendido a mensagem dos roteiristas de que Kylo Ren deveria ser apresentando como um jovem emocionalmente instável, descontrolado e com pouca experiência; um “vilão em construção” (conceito ótimo).

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Mas, pessoalmente, eu acredito que não custava nada o jovem jedi negro ter oferecido um bom nível de ameaça. O combate final deste contra os dois heróis, Finn e Rey me pareceu briga de primário. Não acreditei em meus próprios olhos quando a aspirante a Jedi Rey deu uma corsa de sabre no desengonçado emissário do mal praticamente com a mão nas costas. Acredito que, para um bom roteirista, o recurso de levantar a bola de um herói fazendo seu principal antagonista vacilar aos tropeços é flertar com o fracasso. Se o recurso foi pensado para agradar a crescente demanda de representatividade feminina no cinema, eu creio que pra mim houve o efeito contrário.
Ao se desvencilhar de um contingente tão pífio de ameaças, o valor de uma ação heroica cai pela metade. Espero que, para as próximas sequências o seu valor aumente.
Snoke (Andy Serkis), o tenebroso líder da Primeira Ordem é o grande senão da saga. Já se especula se o vilão é ou foi um Sith (termo que, aliás, praticamente se encontra em desuso agora) já que aparenta ser uma entidade venerável, secular. Sua ligação com o jovem Ren é provavelmente o elemento que será mais explorado no próximo filme uma vez que este prometeu concluir o seu treinamento.
Já tanto a tão mencionada Primeira Ordem quanto a figura da Capitã Phasma (Gwendolyne Christie) não passam de grandes bibelôs narrativos. Se nas imagens da capitã dos Stormtroopers havia a promessa de alguém ameaçador que não passou de uma “armadura com pintura envenenada”, na organização que substituiu as aspirações do Império foi demonstrado apenas uma roupagem nova para um conceito que foi melhor apresentado no passado. Teria sido bem melhor se o próprio Império Galáctico tivesse sido mantido.

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Colocando em panos quentes, o grande feito desta empreitada foi a reinserção (ainda temporária, provavelmente) do elenco original da franquia. Tony Daniels (C3PO), Peter Mayhew (Chewbacca), Mark Hammill (Luke Skywalker), Carrie Fischer (Leia Organa) e, principalmente Harrison Ford (Han Solo) estão todos de parabéns pela ligação que têm com esta que é talvez a mais importante franquia de fantasia da história do cinema. Fiquei chocado quando soube que todos estariam de volta para passar adiante o legado para as novas gerações.

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Bom, entre mortos e feridos, lágrimas e sorrisos, Star Wars – O despertar da Força é um belo filme, com cenas grandiosas de ação e uma bela história (apesar dos pesares) que nos apresenta uma nova jornada.
Assim como foi no primeiro início (Episódio IV), assim o é neste. Uma grande aposta com os sonhos de uma grande multidão de fãs, que tem como prêmio a sobrevivência de uma mitologia que ainda está longe de definhar.

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