Watchmen: o gibi, o filme, o Alan Moore, o Zack Snyder e os nerds

Mesmo tendo passado 8 anos de seu lançamento, Watchmen, do tosco -e não “visionário”- Zack Snyder ainda é um dos filmes mais espezinhado pelas chiliquentas de plantão, assim como a HQ, que tem mais de 30 anos ainda é constantemente escrutinada e foco de infinitas análises e discussões na curriola nerdística, no metiê da (pretensa) intelectualidade cultural que você só encontra (infelizmente) aqui, no cuzinho da Internet.

E ainda hoje, aindam rolam infindáveis discussões sobre  as nuances da HQ, se o filme é bom ou não, sobre o elegante final alterado (Oooooooh que blasfêmia), se o diretor é visionário ou não e mais um monte de outras merdas que vamos comentar aqui.

Li o gibi algumas vezes e assisti ao filme quando este foi exibido nos cinemase vou dizer: eu curti ambos pra caramba. A adaptação não é um filme perfeito, assim como Batman The Dark Knight também não foi, ao contrario do que dizem, mas é um filme que consegue ser divertido e envolvente, apesar de estar tudo muito mastigadinho para o “publico médio”. E a HQ… Bem, gosto muito dela, reconheço sua qualidade e importâmcia e o quanto ela foi revolucionária para a indústria e a mídia dos quadrinhos (em todos os sentidos), mas já digo que tá longe de ser a minha história favorita, assim como os Beatles são a banda mais importante de todos os tempos e também não é a que eu mais  curto, simples assim. Mas, prossiga…

O Fanboy: Esse Chato de Galochas (pra não dizer outra coisa…)

Antes de continuar falando sobre o filme e o gibi, vou entrar nesse ponto que é uma tecla bastante batida nos textos e discussões na internet. Parece ser um consenso geral pra toda galera que é fã de quadrinhos e subseqüente de Watchmen que o filme deixou muita coisa de fora e que não agradou os intelectualíssimos leitores de quadrinhos por ser um filme mais voltado pra galera xucra, inguinorante, “massa veio” – o chamado “publico médio” ou, como alguns paus-no-cu gostam de dizer por ai, os “civis”.

“Publico Médio”.

“Civis”

Na boa…

VÃO TOMAR NO OLHO DOS SEUS CUS, FILHOS DA PUTA!

SEUS FILHOS DA PUTA

Voltando: Como se o fato de ler a porra de um gibi ,ou de, sei lá… Assistir anime, ficar vegetando no Netflix, jogar Lol, Overwatch ou RPG colocasse qualquer pessoa acima de alguém seja lá em que categoria intelectual que seja, onde ela possa dizer que uma pessoa que não goste dessas coisas seja leigo, imbecil ou ignorante.

Isso é bem coisa do fã. Do fã não, do cretino intelectualóide, do chamado fanboy ou como a maioria se autodenomina: do nerd.

Pelamordedeuscaralho, nerd sempre foi aquele cara  esquisito, seboso, com cara de anta, torto, babão, motivo de chacota dos manos e desprezado pelas minas. Um loser. No máximo (e isso em raríssimas ocasiões), um cara muito inteligente que se dá bem em matemática e que acaba fazendo 10 anos de engenharia pra arranjar um emprego decente, trampa feito um condenado pra comprar suas tralhas e acaba doido-varrido na velhice. E virgem.

Isso pra mim é o significado ortodoxo da palavra “nerd”. Sempre foi. O estereótipo clássico do nerd punhetão é basicamente o que foi dito no paragráfo acima. Ou ao menos, era.

Só que hoje, com a gourmetização. oriunda da popularização e da produção desenfreada de adaptações cinematográficas e desenhos animados de  livros, games e principalmente (quem diria),  gibis de super heróis, o termo “nerd” deixou de ser algo ofensivo e se tornou uma coisa “cool”. Graças a esse elitismo que vemos hoje em dia, “nerd” deixou de ter o tom pejorativo do passado e hoje é uma parcela bem significativa dos consumidores de tudo que é tipo de porcaria comercializada, uma das que mais gasta seu dinheiro em merdas, o que despertou o interesse de todos os segmentos comerciais, não só de produtores de conteúdo de entretenimento. O mercado reconhece essa turma como um poderoso grupo consumidor, sabendo explorar muito bem o fanatismo voraz da galera e hoje você encontra tudo que é tralha licenciada com a cara do seu personagem preferido, além dos já citados filmes e vídeo-games: camisetas, alimentos, bonequinhos, lancheiras, fantasias, botons, vibradores… Enfim, tudo o que um marketeiro muito do esperto e féla da puta puder empurrar pra um bom idiota comprar.

Daí o motivo dessa galera que antigamente vivia acuada desenhando no cantinho da sala de aula ou nas bibliotecas com seus RPG´s retardados botarem as manguinhas de fora.

Ai, quando finalmente lançaram um filme adaptado de uma HQ cultuada e clássica como Watchmen, a nerdaiada fica indócil se achando dona dos direitos da obra e ai rola o mimimi, o nhem-nhem-nhem, a choradeira chata e começa a dar seus pitacos no cu da sua mediocridade e que graças a… Nunca vai sair de lá.

Como se ler gibi ou não fosse algum mérito ou credencial pra alguma coisa de útil (discussão babaca em no Twitter e em grupo de Facebook) e se isso te colocasse acima de alguém em qualquer quesito. Não è.

Não è.

Mas o nerd, o fanboy chato do caralho que fica se remoendo porque o filme não foi feito da maneira que ELE queria não pensa assim.

Na sua cabeça de macaco, quem não curte o que ele curte é burro. Simples assim. Quem não gosta do que eu gosto é burro, é idiota e é #viadinhofilhadaputa. E eu não de brincadeira ou exagerando: tem muito filho da puta  que pensa assim de verdade. Que todo mundo tem que gostar do que ele gosta. Que as pessoas só não gostam do Harry Potter, da Miss Marvel, do Constantine ou dos Cavaleiros do Zodíaco é porque não os conhece – se conhecer vai gostar automaticamente – e se não gostar ai sim é burro, é idiota e é #viadinhofilhadaputa (e tem que morrer também). Se duvida, vai num grupo qualquer de Marvel X DC por exemplo e veja do que tô falando…

Cara, Watchmen pode ser um gibi muito foda, bom pra caralho, o melhor de todos os tempos, mas ainda assim é só um gibi.

É SÓ A PORRA DE UM GIBI.

NADA MAIS.

Tem muita coisa legal. É bem escrito, bem desenhado. Foi inovador, é umas das maiores historias da literatura em geral, tem personagens bem desenvolvidos uma trama fudida pra caralho… Mas é só um gibi.

Como eu disse lá em cima, Watchmen se fosse uma banda seria os Beatles: a maior de todos os tempos. Reconhecido mundialmente a sua importância, isso é um fato.

Claro.

Obvio.

Lógico.

Evidente.

Incontestável.

Maaaaaaaaaaaaaaaas… Não é a minha historia preferida. Assim como apesar de curtir pra caramba os Beatles, também não é minha banda favorita. E a de muita gente também não. E isso que é o legal: você ter varias opções ao seu dispor. De ter um gosto particular e poder escolher o que é bom pra você ou não. E foda-se, é o seu gosto, é a sua escolha. Mesmo que seja um Youngblood ou um Mamonas Assassinas da vida, qual o problema?

E isso é uma coisa que não entra na cabeça desse povo. Pra muita gente, o mundo todo tem que ler Senhor dos Anéis, gostar da porra da Kamala Khan, jogar a porra do RPG que o arrombado gosta, andar de camiseta da Piticas, sobretudo e ouvir metal melódico. Que merda! Imagina que mundo de bosta tóxica que seria…

Watchmen é um gibi muito legal, mas não mudou minha vida em nada e não vou ficar aqui viajando em cima de teorias pseudo-cientifica / filosófica sobre a obra – já tem muito retardado por ai fazendo isso. É um gibi legal que te diverte na leitura, é consistente, um pouquinho complexo e diferente da maioria, te faz pensar um pouco num punhado de coisas, tem todo um contexto histórico e só, não é nada épico e nem deve ser levado como filosofia de vida. Pode ter tantos significados que você queira que tenha, mas lembre-se que o titulo original da historia quando o Alan Moore apresentou na DC era simplesmente Who Killed The Peacemaker (Quem Matou O Pacificador), então se a maioria do povo achar que o filme ou ate mesmo o gibi é sobre descobrir quem é o assassino, o que tem de mais?

Voltando ao que interessa: o filme e a HQ:

Então, sobre o filme, como eu disse láááááá em cima, antes de dar essa viajada legal na Hellmans sobre esses nerds filhos da puta e malditos, bem, o filme é  bem legal, esteticamente muito bem feito, tem uma historia bem amarrada, apesar de cortar muita coisa da HQ original, ele serve no contexto apresentado no longa que é amarrar todo o enredo nos personagens principais, os heróis. Afinal, é disso que se trata: um filme de super heróis.

Mais ou menos assim: pra um filme de quase 3 horas era impossível encaixar todos os elementos do gibi. É muita historia, muito personagem e muita informação. E por se tratar de uma HQ em 12 partes, onde cada historia é fechada em si que se junta pra formar um todo, uma trilogia ou mesmo um segundo filme seria inviável por não ter um meio termo, um mote, uma identidade individual e mesmo checkpoints pra cada filme – um ponto de partida e retomada pra quebrar uma transposição das 12 revistas em mais de um filme.

Então, muito espertamente (apesar do chilique da galera), o “visionário” de porra nenhuma, Zack Shitnyder resolveu dar uma simplificada nas nuances do original e pegar os elementos óbvios e trabalhar numa trama fechada neles – e o que são esses elementos óbvios: – os super-heróis, é claro – foi assim que ele foi vendido: como mais um filme de herói, apesar de se situar numa época em que esse tipo de produção não tinha o mesmo alcance, atenção e relevância de hoje em dia. Ou você achou que a Warner fez esse filme dedicado exclusivamente pra você, animal “que lê gibi há mais de 30 anos”?

E dessa “otimizada” saiu muita coisa “vital” que tinha no gibi: a HQ dentro da HQ Contos do Cargueiro Negro, os anônimos que ficavam bostejando na banca de revistas, a galera da ilha de Lost (rs) e toda a trama da criação da lula gigante, modificando dessa forma o final conhecido e do gibi e no seu lugar, (apesar do chilique da galera) um desfecho mais “elegante”.

E quer saber: um final que se não é elegante (não é mesmo), mas, que funciona – dentro do contexto do filme. Já que a ideia é de se focar apenas nos protagonistas fantasiados e que não teria tempo pra se desenvolver decentemente o plot da criação da buceta gigante e como o Dr. Manhattan era o único ser com super poderes de verdade no filme (e no gibi também), tinha que ser ele o catalisador da destruição em massa que culminou do plano do Ozymandias. No final só muda a causa, o efeito continua o mesmo. E as choradeiras de que isso não tem nada a ver, de que os russos não iam ficar de meinha com os gringos por causa disso, isso é besteira. O final da revista é aquele porque o Alan Moore quis que fosse assim. Se no gibi depois que a porra da lula explodisse e matasse meia Nova Iorque como aconteceu e os russos metessem bomba nos States e o Ozzy ficasse na mão, todo mundo ia dizer ámen do mesmo jeito. Simplesmente Porque foi o barbudo xexelento do Moore que fez. E não adianta vir nenhum cientista-politico entendido (e isso existe) pra viajar no que ia ou não acontecer… no que os russos iam fazer DE VERDADE por dois motivos:

1 – Você não sabe de nada, filho da puta. Se isso fosse pra valer, em plena guerra fria não é você com seu cursinho meia-boca de historia e sociologia que ia ter a menor ideia de porra alguma.

2 – É só um gibi. Poderia acontecer QUALQUER COISA – até mesmo o Bátema surgir de algum portal dimensional da PQP e desarmar as duas potencias e enfiar os mísseis no mesmo lugar onde ele guarda o bat-escudo (opa, isso bem que pode acontecer agora, yay). É um gibi, porra.

De resto, a cena de abertura ficou muito foda mesmo – apesar do Bob Dylan. Alem de mostrar bem rápida e objetiva a historia dos Minutemen (o que não foi mostrado no gibi) até chegar nos dias da historia em 1985, ficou muito legal mesmo a interpretação de vários fatos reais com a participação dos herois da historia – tirando a parte que o Comediante mata o Kennedy e aquela viradinha ridícula pra câmera que não precisava. E o som pra acompanhar é perfeito: uma musiquinha lenta (e meio chatinha) com uns 5 minutos, tempo suficiente pra uma boa enrolada na abertura – que vai da década de 30 aos 80 – e o titulo perfeito: The Times They Are Changin’…

O visual, cenário, uniformes, falas, tudo OK, tirando uma ou outra escorregada, como as lutas muito coreografadas e lentas, armadura do Coruja muito high-tech, ficando forçadamente muito parecida com a do infame Batman do Joel Schumacher, Rorschach pagando de Jason, não ter contado a origem do Ozymandias, Bubastis perdida na historia…

Os atores, todos desconhecidos à época, tirando a Carla Gugino, a primeira SIlk Spectre, alguns realmente convenceram nos seus papeis, enquanto outros, apenas fisicamente.

O Rorschach (Jackie Earle Haley) ficou muito foda (mas que nem se morresse ganharia o Oscar como muito viadinho exigiu) – um cara feioso que mete medo mesmo e mais, um vigilante crível, realista, tirando a voz forçada de asmático terminal. Deve ter muito baianão que saiu do cinema QUERENDO ser o Rorschach pra meter machadinha na cabeça de todo mundo.

O Comediante, o Coruja e o Dr. Manhattan também ficaram decentes, com cada um representando bem seus personagens apresar de uma escorregada ou outra do ator que fez o Coruja, mas acho que ai foi mais falha do roteiro e da direção (principalmente nas cenas de luta em que o Coruja esta seguro demais de si, ate mesmo meio arrogante, pra não falar assassino na hora da treta com a gangue) do que do próprio ator, visto que principalmente nas partes em que esta de sem uniforme a gente vê um Dan Dreiberg bem parecido com o dos gibis.

Agora, o Ozymandias bichona ficou tosco mesmo. Alem de não ter nada a ver com o personagem fisicamente, não tem como negar que o filme quer passar que o Veidt é um vilãozinho boiolesco e odioso. Nessa parte, o Snyder, com sua tara por viadice deu uma puta mancada, com a errônea intenção de mostrar descaradamente pra todo mundo (e não só pro “publico médio”, os “leigos”) que o Ozzy era o “malvado” da historia, enquanto que na historia original, ele na verdade talvez seja o maior herói. porque levanta toda uma questão de blablablablablablabla… E que Watchmen na verdade é uma critica aos blablablablablablamerdaescorrendopelonarizblablablabla… Acho que deu pra entender.

E Malin Akerman é realmente uma puta (ops) duma gostosa, mas uma péssima atriz.

 

No geral, Watchmen é um filme bacana, tem quase 3 horas de duração, mas se você curtir a primeira meia hora e não sair no meio da sessão vai ver o resto muito tranquilamente e nem vai perceber todo o tempo passar. Não é nada inovador e revolucionário como o gibi foi na sua época. Na verdade é um filme de herói / ação bem padrão: tem porrada, bullet time, triangulo amoroso, batalha contra o vilão no final, musiquinhas batidas na trilha sonora, momentos engraçadinhos pra galera rir no cinema, como todo filme desse naipe tem, inclusive os “fenomenais” filmes do mesmo ano, Homem de Ferro (teste da armadura que o pinguço perde o controle do vôo cai em cima de um carro eu acho, e vem um escapamento bem na cara dele) e TDK (o Joker explodindo o hospital e saindo vestido de enfermeirinha traveca), caras e bocas, coreografias ridículas e cenas exageradas como todo bom filme de herói manda.

O que diferencia um pouco Watchmen, o Filme do resto é de se tratar de uma ADAPTAÇÃO de uma historia fechada, com uma historia um pouco mais complexa e não de um herói ou grupo de herói já consagrado com mais de 50, 60, 70 anos de bagagem onde se pegam os elementos mais básicos e se trabalhando em cima de uma visão cinematográfica de um conceito onde pouco se pega efetivamente do personagem de linha. Enfim, apesar de ser do Zack Snyder, que tanto cagou no pau depois, Watchmen é um filme  bom.

E o gibi é melhor ainda. E o fato de terem feito uma ADAPTAÇÃO que não ficou 100% fiel ao original e com o objetivo DE AGRADAR E ENTRETER O MÁXIMO DE GENTE POSSÍVEL E NÃO SÓ UMA MEIA DUZIA DE PELAS SACO XEXELENTOS não denigre em nada a HQ, nem o Alan Moore e seus fãs, independente de chiliques e das tentativas frustradas de boicote e queimação de filme que a produção sofreu na época. Agora pra quem curte tem o gibi tem o filme, a trilha sonora do filme, o DVD, o Bluray, o Torrent com o desenho do cargueiro Negro, mais o motion picture do gibi, o jogo, mais uma batelada de bonequinho e o que caralhos mais puderem inventar pra galera que enche a boca pra dizer “EU SOU NERD, pooooooorra!!! Eu sou fã e quero service!!” , por exemplo, um… Vibrador Azul Radioativo do Dr. Manhattan.

E pra todo mundo, tanto pro nerd onisciente ou pro burro “médio” civil, a dica aqui é uma só: gostou ou não do filme, leia o gibi – o original, do Moore, não o lixo Before Watchmen que a DC lançou em 2011. Ou não. Faça a porra que você quiser.

Nota 8 – pro filme

E 10 pro gibi, com certeza – mas, Preacher é muito mais legal.

 

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