Homem-Aranha, nunca bate, só apanha: mais um filmeco com padrão Disney de qualidade

Com mais de uma década passada desde a última vez que o Homem-Aranha teve um decente (Homem-Aranha 2, de 2004) e depois de 3 filmes deprimentes, a maioria dos fãs achava que a franquia cinematográfica do “Amigão da Vizinhança” da Sony estava pra sempre condenada, assim como a do quarteto Fantástico foi totalmente destruída pela Fox. Mas, o diretor Jon Watts (com uma ajudinha da Marvel Studios) deu uma dentro e a seca finalmente acabou com Homem-Aranha: De Volta Ao Lar (Spider-Man: Homecoming). Ou ao menos, é o que parece…

Sim, o filme é bom, é legalzinho, divertido, mas… É o melhor filme de super-heróis de todos os tempos (como muito vagabundo desesperado tá dizendo por aí)? Não, de jeito nenhum, nem chega perto disso. É o melhor filme do Homem-Aranha pelo menos? Também não. O Homem-Aranha 2 ainda segue insuperável e com uma boa distância de diferença.  Homem-Aranha: De Volta Ao Lar não é um filme melhor que nenhum outro a que ele possa ser associado.  É só mais um filme de tantos da Marvel, com a mesma forma, a mesma estrutura e o mesmo conteúdo pífio de sempre. Apenas mais um bom filme medíocre  – que parece ser é a unica maneira que a Marvel Studios sabe fazer – e com o padrão Disney de “filme divertidinho e inofensivo pra toda família”. Nada mais além disso.

A história é bem simples e continua de onde Capitão América: Guerra Civil parou: “Peter Parker” volta a sua rotina de merda depois dos eventos da “Guerra Civil” e segue tentando se adaptar a vida tediosa de ser um nerd boboca do segundo ano no ensino médio. No seu tempo livre, ele bota a roupinha hi-tech (aargh!) de ‘Homem-Aranha’ e sai em patrulha pra dar porrada em bandidinhos comuns pra passar o tempo. Uma coisa boa do filme é que ele não desperdiça tempo para contar mais uma vez como “Peter” obteve seus poderes, não há nenhuma menção, nem um flashback sobre isso. Na verdade, tudo o que acontece durante o filme inteiro é a obsessão doentia que “Peter” tem em querer ser um vingador mais do que qualquer coisa no mundo e as merdas que ele acaba fazendo por causa disso.

Além da Tia May MILF (mas não é tudo isso que o filme tenta forçar), temos a participação do nosso considerado e onipresente Tony Stark, retratado aqui como um tipo de figura de paterna  porém, distante, para “Peter”, esnobando-o sempre que pode. Tony não  considera “Peter” um Vingador ou mesmo que ele possa vir a ser um e deixa isso bem claro.

Encarnando o espírito do bom brasileiro (de não desistir nunca), e em sua busca por ação, “Peter” acaba esbarrando com uma gangue de bandidos com um equipamento da pesada. Esses caras são ex-peões da construção civil, que passaram a agir como traficantes de armas de destruição recolhendo um monte de tralhas tecnológicas, sobras do espólio das batalhas anteriores dos Vingadores. Os bandidos são liderados e protegidos por um vilão com um traje voador equipados com asas gigantes e altamente avançado, o sr. Adrian Toomes (que em nenhum momento do filme é chamado de “Abutre”). Por ser ainda bem inexperiente no ramo do super-heroísmo e também por ser um puta moleque babaca que só quer chamar a atenção do velho Tony Stark, nem precisa dizer que “Peter” mete os pés pelas mãos ao lidar com esse bando de ladrões comuns e consegue estragar tudo da pior maneira.  Isso deixa Downey Jr. devidamente puto da cara, o que faz com que confisque de “Peter” o seu traje das Indústrias Stark.

 

E é aí que eu paro com a narrativa do filme pra entrar no seguinte ponto: ESSE MERDA NÃO É O HOMEM-ARANHA. NÃO CHEGA NEM PERTO, NÃO TEM NADA A VER. Quando o tio Stark lhe toma o rocambólico traje inteligente, “Peter” se desespera e chora como uma menininha ao ponto de dizer “sem esse traje, eu não sou nada!!!”. Isso nem de longe representa o que é o verdadeiro Homem-Aranha dos quadrinhos ou mesmo de outras mídias.  É deprimente. Nem o Homem-Aranha boiola do Andrew Garfield conseguiria descer tão fundo. Foi nesse ponto que segui apenas assistindo ao filme e desisti de ver algo ao menos próximo de uma caracterização decente do melhor herói de todos os tempos ou de seu alter-ego, por isso as aspas todas as vezes que estou citando o personagem aqui. Essa porra que fizeram nesse filme não é o Homem-Aranha, não é o Peter Parker, ok? Só vamos fingir que é e continuar chamando-o assim…

As cenas em que “Parker” não está como “Aranha”são quase todas passadas na escola ou as coisas são em função dela. Inclusive, o tal baile, que diferente do que as pessoas acreditavam antes do filme estrear, não tem importância alguma no enredo. Sobre a turma da escola, bem… DIVERSIDADE UBER ALLES, né… Assim como cagaram totalmente com o Peter Parker conceitualmente, eles fizeram o mesmo com seus coadjuvantes, mas na questão da identidade visual. O negócio aqui não é identificação com esses personagens tão consagrados e queridos por todos os fãs e leitores que conhecem o Homem-Aranha de longa data ou mesmo os novos que o conheceram nos últimos anos. A descaracterização é total, e claro que isso foi feito com o propósito de promover a tal da representatividade e com isso, mais uma vez se curvar ao politicamente correto. Exatamente do mesmo jeito que a Marvel vem fazendo nos quadrinhos. Essa ideologia pós moderna infestou a Disney por todos os lados e não parece que seja algo que vá um dia passar – infelizmente.

Apesar disso, a dinâmica entre esses atores é satisfatória, mesmo não tendo nenhum personagem que seja bem desenvolvido ou que tenha uma profundidade razoável, tampouco alguma justificativa para a mudança na caracterização física. Se você está esperando ver algo como O Clube dos Cinco, como foi amplamente prometido pela produção do filme, esqueça. O núcleo não-heróico do filme (que tem mais tempo de tela do que deveria) não chega nem perto de nenhum desses filmes. Também não chega a ser uma merda total, mas realmente não é nada memorável – assim como também não é a retratação do Homem-Aranha, muito menos as cenas de ação. Enfim, é um filme equilibrado: engraçadinho, divertidinho e medíocre todo o tempo.

Sendo bem justo, a única comparação que cabe e que realmente faz sentido seria com o filme do Homem-Formiga, tanto em conceito, quanto em estrutura: o escopo aqui é muito menor do que o que rola nos filmes dos Vingadores – mesmo de seus heróis solo, tipo o Capitão América ou o Thor. Homem-Aranha: De Volta Ao Lar é uma história de herói local, pé (de chinelo) no chão. O negócio desse “Aranha” é prender ladrão de bicicleta e batedores de carteira. Na verdade, o clima do filme é tipo um mash-up de Homem Formiga e  alguma comédia adolescente ruim dos anos 90  e isso não é de todo mau. É um filme de um colegial babaca que também, é um super-herói e faz merda.

 

Afinal, esse é o Homem-Aranha da Disney. Por mais que os filmes antigos do Sam Raimi tivessem todos os defeitos, ao menos eles tentaram ser mais verdadeiros ao que o Homem-Aranha representa. Muito longe de serem filmes perfeitos -pelo contrário- mas, principalmente no segundo, eles conseguiram chegar muito perto ao menos na parte conceitual do herói. E na boa, de longe foram muito superiores do que este último, apesar que mesmo neles a caracterização do Peter Parker também tenha sido uma bosta. Tanto em termos de interpretação do ramelão do Tobey Maguire, quanto na forma que decidiram retratar o personagem. O Peter desses filmes era muito esquisito, estranho, sonso, mongolão e em nada se identificava com o original ou mesmo com o público, além, de  ficar stalkeando a Mary Jane na maior parte do tempo nos 3 filmes – enquanto que nesse novo, o “Peter” fica stalkeando o Tony Stark, hahahaha. Enfim, nada diferente do que veio depois em todos esses filmes medíocres de super-heróis: divertidos, mas nem de longe conseguem fazer uma retratação fiel  do personagem como ele é originalmente nos quadrinhos. Não que eu realmente espere mais isso depois de tantos desses filmes meia-boca que vem saindo nos últimos 10 anos

Mesmo com a produção dos “gênios” da Marvel Studios, eles mais uma vez não conseguiram pegar a “essência” do verdadeiro Homem-Aranha, não entenderam os conceitos mais básicos do personagem. O verdadeiro Peter Parker em começo de carreira, nos seus 15 anos (que é a base desse filme) é um moleque tímido, travado e ele não tem amigos; Ninguém sabe da sua identidade secreta e ele é bem reservado quanto a manter seu segredo; nem fodendo que ele é carente por atenção ou hiperativo como é mostrado no filme.

 

E o mais importante: o verdadeiro Peter Parker é um cara auto-suficiente: ele nunca ficaria rebolando atrás do Tony Stark feito uma putinha e muito menos confiando e dependendo unicamente do seu equipamento de última geração pra salvar seu rabo o tempo todo. Ele nunca diria aquela merda de “mimimi, sem essa roupinha descolada eu não sou nada”… Só de optarem por apresentar o personagem dessa forma, com uma sub-armadura do Homem de Ferro cheio das traquitanas e inteligência artificial já deturpou quase por completo o que o Homem-Aranha deveria significar e como ele age.

Outra coisa: a Tia May tem que ser uma velha doente, porra. Muito da carga dramática das primeiras histórias na época do Stan Lee era justamente por causa do Peter ser obrigado a cuidar da sua tia velha. No filme, a única função da May estar alí é pra fazer os marmanjos ficarem babando por ela e fazendo piadinhas de como ela é gostosa – e olha que a Marisa Tomei nem tá mais com essa bola toda (ela é bonita, tem uns peitos maneiros e só)…

Outra bosta que me incomodou muito: como diz no título deste post, o “Homem-Aranha” desse filme realmente só apanha (e não come ninguém). Tirando as lutinhas breves com os bandidinhos genéricos, ele não ganha UMA nas três ou quatro vezes que ele enfrenta o “Abutre”. Em todos os confrontos ele apanha feio e na luta final, ele só “ganha” na cagada porque dá pau no traje voador do Abutre, que antes disso tinha deixado o moleque prostrado no chão, desmaiado de tanto levar porrada na cara. Resumindo: é um filme de super-herói em que o pseudo herói não ganha uma unica vez sequer do porra do vilão principal. E é esse merdinha que quer tanto entrar pros “fodões” dos Vingadores…

E o filme termina com o  “Peter Parker” recusando a oportunidade de ser um Vingador, em seu único momento de lucidez na vida, preferindo seguir com sua vidinha humilde um pouco mais antes de meter as caras em algo maior. Na cena final, quando ele entra no seu quarto, ele encontra uma sacola em cima da sua cama, que o  Tony Stark deixou pra ele. Nela tem o já manjado traje rocambolesco hi-tech que o velho tinha tomado dele no começo do filme. “Peter” veste a roupa, e quando ele vai por a máscara, a May abre a porta e entra no quarto. Ela diz “mas que porrrrrrra é essa” e o filme termina aí com a entrada dos créditos engraçadinhos.

 

Ah, sim… Tem duas cenas pós créditos: a primeira é com o Michael Keaton na cadeia encontrando o Mac Gargan, que pode vir a ser o Escorpião no próximo filme. E a segunda, é a repetição da cena pós creditos do filme do Deadpool, só que dessa vez com o Capitão América.

Antes de partir, algumas considerações:

Queria saber como caralhos esse filme se passa 8 anos depois do primeiro Vingadores, que saiu em 2012. A não ser que Homem-Aranha: De Volta Ao Lar se passe no “futuro”, isso não faz o menor sentido. Ainda mais levando em conta que a história desse se passa 6 meses depois do Guerra Civil, o que levaria o GC a também se localizar a frente do nosso tempo. A culpa deve ser dessa galera SJW de humanas que infestou a Marvel…

 

As cenas de ação ficaram bem meia-bomba. A maioria delas se passa a noite,  câmera é muito desfocada e tremida, principalmente as lutas com o “Abutre”, que em muitos momentos não dá pra entender porra nenhuma do que tá acontecendo. E os efeitos especiais não são tão bons… O ”Aranha” de CG é o mesmo do filme anterior do Capitão América, eles não consertaram os defeitos da transposição do personagem quando uniformizado e continua com aquela impressão de coisa fake que rolou no Guerra Civil.

Todas as merdas que acontecem no filme acontecem por culpa do “Peter Parker/Homem Aranha” e sua obsessão em querer se aparecer pro Homem de Ferro. Responsabilidade (que é o mote principal do personagem) passou longe desse ai.  Olha só:

  • Na cena do assalto ao banco que o “Aranha” tenta impedir, termina com os ladrões fugindo e a mercearia que ficava do outro lado da rua sendo destruída por culpa de seu descuido.
  • Depois ele vai pra Washington participar de uma competição escolar e leva junto com os moleques um artefato alienígena que na verdade era uma bomba, que além de quase matar todos os seus amigos, ainda destrói o prédio onde eles estavam.
  • Quando o nosso amigo “Aranha” tenta impedir uma transação de armas, ele além de destruir o bairro inteiro na cena de perseguição ainda arrebenta com a ferroviária de Staten Island.
  • Na luta final em que ele vai atrás do Abutre, eles derrubam uma porra de um avião num parque de diversões, caralho!
  • E em todos os momentos durante o filme sua motivação principal pra ser o Homem-Aranha nunca foi a de salvar vidas ou ajudar as pessoas, mas, sim, provar pro porra do Tony Downey Jr. que ele tava pronto pra entrar pros Vingadores.
    Que herói de merda!
    Que porra eles quiseram dizer com essa versão tosca de Flash Thompson? De todos os coadjuvantes, esse foi o que ficou mais cagado. Nada contra o ator -que dizem que é bom, apesar que aqui não deu pra notar isso- mas, porra… Nem é questão de racismo por sua etnia nem nada, mas simplesmente é que não ficou nada a ver.  A dinâmica do nerd x valentão que tinha entre o Peter Parker e o Thompson nos primórdios do Homem-Aranha e faz parte da base do cânone do personagem se perdeu totalmente aqui. Tudo bem, que o cara não precisa ser um gigante retardado pra ser um “bully”, mas não tem como não ficar puto com essa postura da Sony e da Marvel de querer fazer tudo com caráter pós-moderno, com um “Flash Thompson” nanico, raquítico e que tomaria uma sova do “Pinto Parker” mesmo que esse não tivesse nenhum poder. Por que não criar um personagem novo, já que a intenção era ser pró-diversidade e não aproveitaram nada do personagem original? Pra que mudar completamente um personagem tão importante na historiografia do Homem-Aranha pra desperdiça-lo a troco de nada?

    E a tal da “Michelle”, hein? Depois de toda a especulação da identidade dela, vem o Kevin Feige dizer que “ela não é a Mary Jane Watson, mas dar-lhe as iniciais dela vão fazer lembrar dessa dinâmica e dar uma dica do que pode acontecer. Vamos lhe dar uma chance antes de declararmos que é uma merda total”Só que ela é sim, seu filha da puta. No final do filme tem uma caralha de uma cena inteira só pra fazer ela se apresentar como “MJ” e ainda assim o bosta não tem a decência de admitir que ela é a representação da Mary Jane dos quadrinhos pra essa franquia de filmes (ou realmente era, mas eles arregaram com medo da reação dos fãs).                                          

Novamente, é a mesma coisa do “Flash Thompson” galeroso: se eles querem que essa “MJ” feiosa seja um interesse amoroso para o  “Peter”, que façam dela uma personagem verdadeiramente nova e evite assim o conflito e a confusão das pessoas que vão compara-la constantemente com uma personagem conhecida e querida por todos. E as pessoas vão fazer essas comparações de todo jeito. Todas as namoradas do Peter Parker serão sempre comparadas ou com a Gwen Stacy ou com a Mary Jane. Ainda mais nesse caso que a personagem Michelle é uma merda, além da atriz ser horrível.

Tenho um pouco de pena desses atores de “minorias” que acabam sendo sacaneados ao aceitarem se submeter a esses papéis merda que deturpam personagens clássicos mudando sua etnia para fazer o gosto da agenda politicamente correta. Pois eles sempre vão acabar sendo questionados e execrados por causa disso, de serem usados pelos estúdios como joguetes pra cagar em cima de personagens estabelecidos e conhecidos por todo mundo, e que por acaso na sua grande maioria são brancos. Mas, né… A escolha de aceitar foi deles, então, que arquem com as devidas críticas, mas não deixa de ser uma bosta.

 

E infelizmente, isso tem sido o padrão de toda a indústria do entretenimento em geral, dos filmes aos quadrinhos. Essa prática rasteira de simplesmente recolorir velhos personagens como a forma mais fácil de pagarem de bons moços e promover a porra da diversidade. Pior que esse costume viciado já se tornou um padrão… Todo mundo hoje em dia acredita que a melhor forma de mostrar que não tem preconceito e que está combatendo o racismo é pegar uma porra de um personagem branco e dar pra uma porra de um ator preto pra interpretar. Nem os personagens de anime estão escapando dessa porra, como o japonês L do Death Note vai ser negro na série da #Netflixsualinda que tá vindo aí…

Enfim, espero que no próximo filme eles apresentem a VERDADEIRA Mary Jane e que façam isso do jeito certo. E que parem com essa putaria de mudar por mudar, pra mostrar como são inclusivos e politicamente corretos. O Homem-Aranha tem de longe o melhor elenco de coadjuvantes dos quadrinhos. Qual a porra do problema de retratá-los como realmente são? Outra opção de par romântico do “Peter” seria dar relevância pra Betty Brant, que apareceu brevemente numa cena no filme. Seria um bom modo de aproximar mais o filme das HQ´s e também agradar os leitores e fãs do Aranha. Além de a atriz que faz a Betty ser 1000 vezes mais bonita que a Zendaya, seguiria a ordem natural dos gibis que serviram de base pra essa franquia, as histórias antigas do Homem-Aranha. Ele começaria namorando a Betty ao invés de uma MJ fuleira e baranga (e com cara de maconheira). Depois, nos filmes seguintes, as VERDADEIRAS MJ e Gwen poderiam aparecer, assim como foi nos gibis.

Se de fato a intenção da Marvel sempre foi de fazer uma “Mary Jane diversa e vibrante”, por que não já chamá-la assim logo de cara? E mais, pra que mencionar no final do filme a porra do apelido de “MJ” se eles querem que essa Michele seja uma personagem totalmente nova e evitar comparações? Essa porra de “easter egg” é totalmente ridículo e tão sem sentido quanto (vamos supor que seja verdade) fazer dela uma personagem “nova” e no entanto descaracterizar totalmente os outros moleques: o “Ned Leeds” é um gordo samoano retardado; a Liz Allen é uma patricinha genérica e filha do Abutre; Betty Brant é uma loirinha de 14 anos e o Flash Thompson é um merdinha indiano e nerd que participa do clube de trívia da escola. Tudo muito errado…

A verdade é que o personagem do “Homem-Aranha” foi muito mal desenvolvido em todos os sentidos, principalmente a sua personalidade. No filme, o “Peter” não tem nenhuma motivação real em perseguir o Abutre. Aliás, de ‘profundo’ esse vilão não tem é nada e tampouco ele era uma ameaça real até o fim do filme, quando ele foi atrás das bugigangas dos Vingadores e que aí sim poderia oferecer algum risco à população, a cidade, sei lá… E a tal “referência” à famosa história “If this be my destiny”, de The Amazing Spider-Man #31-33 também não tem nada a ver. Na história original, o drama da situação se deve ao Aranha estar soterrado numa pilha de entulhos e ele precisar sair dali pra salvar a Tia May; no filme é simplesmente “tenho que ME salvar e impedir o Abutre de roubar as muambas do seu Tony Stark e quem sabe, depois disso ele me dê um cookie”.

Pra finalizar: mesmo com todas essas críticas, achei o filme OK. Nem a pau que essa seja a melhor versão adaptada do Homem-Aranha, nem mesmo é a melhor do cinema. Aliás, nunca teve um Aranha que preste nos cinemas, esses caras não conseguem acertar uma. Enfim, esse Aranha da Disney é um moleque muito idiota, cretino e imaturo, que parece que não aprendeu porra nenhuma com o possível trauma da morte (não citada) do Tio Ben. É um personagem que não evoluiu nada desde sua primeira aparição, além de ser  dependente demais de terceiros, como o gordinho bobão e o Tony Stark e suas bugigangas. Homem-Aranha com roupinha com Inteligência Artificial NÃO DÁ.

 

Eles dizem que decidiram fazer dessa forma por causa da “necessidade” de um herói “realista” e “moderno” (aliás, tudo nesse filme se resume a PÓS-moderno). Então, né…  FODAM-SE O “REALISMO” E A “MODERNIDADE“. As pessoas não querem assistir filmes de super-heróis apenas para se “identificarem” com eles e NÃO PRECISA  ser tudo tão fundamentado e ser “calcado na realidade e verossímil”. Muito pelo contrário: filmes de super-heróis (assim como os gibis) devem ser encarados como puro escapismo, o mais longe da realidade quanto for possível. Ninguém quer ver num filme as mesmas merdas que já existem no mundo real.

Na melhor das hipóteses, é um filme ‘OK’ mesmo e não passa disso. Muito menos supera os dois primeiros filmes da trilogia original do Aranha. Pra mim, que leio gibis do Homem-Aranha há um bom tempo (uns 20 e poucos anos aí, quase 30), não tem como comparar isso ao que é o herói nos quadrinhos, e por isso fiquei bastante decepcionado com o resultado, apesar de já ter ido assistir ao filme sabendo que não seria grande coisa. Não curti esse Tom Holland nem como “Homem-Aranha”, nem como “Peter”, mas é o que se tem aí pra hoje e para os próximos anos.

 

De todo jeito, com todos esses defeitos, até  vale a pena ir ver esse filminho no cinema, se você não tiver porra nenhum de melhor pra fazer. Mas, não espere nada de mais… É  o típico filme que dois dias depois você não vai mais lembrar porra nenhuma dele e muito menos vale ir assistir mais de uma vez no cinema ou comprar o Blu-Ray quando sair. Recomendado pra molecada que começou a ler gibi semana passada e pro gado bostilheiro que infesta as salas de cinema pra assistir qualquer bosta que tiver passando, só pra dar risada das piadas e e encher o saco fazendo barulho durante toda a sessão, como acontece quase sempre em todo cinema do Brasil.

Nota: 6, de 10. Passou de ano. Raspando.

 

 

 

3 comentários Adicione o seu

  1. Anonimo. disse:

    Eu ainda não vi, mas vejo os que viram e criticaram de uma maneira não devocional dizendo que eles fizeram um esforço para transformar o herói num ser comum. Sem contar a motivação do vilão não ter sido bem trabalhada.

    Parece que o Homem Aranha é o personagem preferido da Marvel em se criar versões que nem sempre ficam legais. Realmente Sam Raimi fez o melhor trabalho com o personagens nos dois primeiros filmes. O terceiro ainda dá pra engolir, melhor seria trabalhar com um vilão só como nos anteriores. As animações só aquela dos anos 90 salva porque é baseada nas histórias clássicas, apesar da animação datada tem mais roteiro que essas mais novas que querem colocar o personagem como Agente da Shield por exemplo.

    Curtido por 1 pessoa

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