O DIREITO DE SER PRECONCEITUOSO

Uns anos atrás surgiu uma história sobre um caso em que uma moça foi impedida de entrar em uma boate, pois de acordo com os responsáveis ela não estaria de acordo com os ‘’padrões da casa’’. Pelo relato os padrões estabelecidos pelos proprietários não incluem negros e gordos.

É claro que qualquer pessoa por mais que não esteja nesses nichos recusados e tenha o mínimo de empatia, se solidariza e repudia tal atitude. É absurdo você pensar que existem pessoas que agem de forma preconceituosa assim. Moralmente, para mim, isso é totalmente errado. Mas a questão não é essa e tão pouco se vale de ‘’é crime’’ ou ‘’esta na constituição’’.

Os indivíduos tem direito de receber na sua ‘casa’ – e a empresa não deixa de ser sua propriedade – o público que tem interesse. Defendo o direito do empresário e/ou empreendedor de servir o público que deseja, assim como eu tenho liberdade de escolher ou não ter contato com essas pessoas.

Eu sou autônoma e já fui lojista. Defendo o direito de caso tenha novamente uma loja, não atender pessoas que sejam donos de estabelecimentos com essa conduta. Mas quando você defende que o dono seja julgado criminalmente por isso, você não só retira o direito de propriedade do mesmo como a liberdade. E por tabela a sua também.

E vou mais além, o Estado não deve intervir nesses casos. As pessoas têm que se sentir livres para expor seus preconceitos, inclusive em anúncios de emprego. Não por elas, mas por nós.

Quantos lugares você já frequentou e já consumiu sem saber que poderia estar financiando um individuo racista? Existem marcas de roupa que chamam indivíduos ‘fora do padrão’ para entrevistas só para fazer número e muitas vezes nem é preciso dizer, fica claro. Quando eu era mais nova, fui a uma entrevista e a moça formada em psicologia disse que o proprietário da loja de sapatos, no qual eu estava buscando emprego, desejava ter funcionarias (mulheres) que coubessem no uniforme (TAM.38). Se já estivessem descriminados tais padrões no anuncio, eu sequer teria gasto tempo e dinheiro. E mais só compraria naquele estabelecimento quem não se importasse com isso.

Você seria amigo de alguém que proíbe a entrada de negros e gordos no seu estabelecimento? Eu não! Mas para isso, devemos defender a liberdade inclusive dessas pessoas.

E o mais importante, o quid pro quo. Quando você defende que seja castrada a liberdade de alguém, em algum momento alguém defenderá que sua liberdade seja castrada. O que no caso ocorre, visto que você perde a liberdade de decisão sobre que estabelecimento gastar seu dinheiro.

Não silencie o preconceituoso!

#Jubs

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